INFLUÊNCIA DA PREPARAÇÃO FÍSICA NO DESEMPENHO ESPECÍFICO DE ATLETAS DE JIU-JITSU
INFLUENCE OF PHYSICAL CONDITIONING ON THE SPECIFIC PERFORMANCE OF JIU-JITSU ATHLETES
Informações Básicas
Revista Qualyacademics v.4, n.2
ISSN: 2965976-0
Tipo de Licença: Creative Commons, com atribuição e direitos não comerciais (BY, NC).
Recebido em: 18/09/2026
Aceito em: 21/09/2026
Revisado em: 23/09/2026
Processado em: 25/09/2026
Publicado em: 13/10/2026
Categoria do artigo: Estudo de Revisão
Como citar esse material:
CAMPOS, Lucas Rogério; FERREIRA, Thiago Henrique; PAMPLONA, Victor Siqueira; BRANDÃO Wellington Justino. Influência da preparação física no desempenho específico de atletas de jiu-jitsu. Revista QUALYACADEMICS. Editora UNISV; v.4, n.2, 2026; p. 455-471. ISSN 2965976-0 | D.O.I.:
Autoria:
Lucas Rogério Campos
Discente, Educação Física, FAIP, Marília, lucasrogeriocampossilva@aluno.faip.edu.br
Thiago Henrique Ferreira
Discente, Educação Física, FAIP, Marília, thiagohenriqueferreira@aluno.faip.edu.br
Victor Siqueira Pamplona
Discente, Educação Física, FAIP, Marília, victorsiqueirapamplona@aluno.faip.edu.br
Wellington Justino Brandão
Coordenador do Curso de Educação Física, FAIP, Marília, wellington.brandao@professor.faip.
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RESUMO
O presente estudo analisou a influência da preparação física no desempenho específico de atletas de jiu-jitsu, considerando as exigências fisiológicas, técnicas e competitivas da modalidade. O jiu-jitsu caracteriza-se como uma prática esportiva de alta intensidade, que demanda força, resistência muscular, potência anaeróbica, mobilidade e controle corporal, tornando a preparação física um elemento indispensável para o rendimento esportivo e para a prevenção de lesões. O objetivo da pesquisa foi compreender de que maneira um treinamento físico sistematizado contribui para o desempenho técnico e competitivo dos atletas. A metodologia utilizada consistiu em uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada a partir da análise de artigos científicos publicados em bases de dados digitais. Foram selecionados estudos relacionados ao treinamento esportivo, capacidades físicas e prevenção de lesões em praticantes de jiu-jitsu. Os resultados demonstraram que atletas submetidos a programas de treinamento físico específicos apresentam melhora significativa na força de preensão manual, resistência muscular, potência explosiva, recuperação fisiológica e controle motor durante os combates. Observou-se ainda que a preparação física adequada contribui para redução da fadiga neuromuscular, aumento da eficiência técnica e diminuição da incidência de lesões musculoesqueléticas. Conclui-se que a preparação física exerce influência direta no desempenho esportivo do atleta de jiu-jitsu, sendo fundamental para otimizar a performance, promover segurança durante os combates e favorecer a longevidade esportiva.
Palavras-chave: Atletas; Educação Física; Jiu-jitsu; Preparação física; Treinamento.
ABSTRACT
This study analyzed the influence of physical conditioning on the specific performance of jiu-jitsu athletes, considering the physiological, technical, and competitive demands of the sport. Jiu-jitsu is characterized as a high-intensity sport that demands strength, muscular endurance, anaerobic power, mobility, and body control, making physical conditioning an indispensable element for athletic performance and injury prevention. The objective of the research was to understand how a systematized physical training program contributes to the technical and competitive performance of athletes. The methodology used consisted of an integrative literature review, with a qualitative approach, carried out through the analysis of scientific articles published in digital databases. Studies related to sports training, physical capacities, and injury prevention in jiu-jitsu practitioners were selected. The results demonstrated that athletes subjected to specific physical training programs show significant improvement in handgrip strength, muscular endurance, explosive power, physiological recovery, and motor control during fights. It was also observed that adequate physical preparation contributes to the reduction of neuromuscular fatigue, increased technical efficiency, and a decrease in the incidence of musculoskeletal injuries. It is concluded that physical preparation exerts a direct influence on the athletic performance of jiu-jitsu athletes, being fundamental for optimizing performance, promoting safety during fights, and favoring athletic longevity.
Keywords: Athletes; Physical Education; Jiu-jitsu; Physical preparation; Training.
1. INTRODUÇÃO
A prática esportiva de forma regular é importante na promoção da saúde e da qualidade de vida, contribuindo para o desenvolvimento físico, mental e social dos indivíduos. A sociedade contemporânea é marcada pelo sedentarismo, o que reforça a necessidade de inserção de atividades esportivas na vida das pessoas, o que favorece o controle de peso, a melhora da capacidade cardiorrespiratória e o fortalecimento do sistema musculoesquelético (ANDRADE et al., 2023; SANTOS, 2024).
Além desses fatores, Santos Júnior (2022), e Nascimento et al. (2024), a prática de esporte atua como ferramenta na construção de valores como disciplina, respeito e persistência, aspectos que impactam positivamente não apenas o desempenho físico, mas também o comportamento e o bem-estar geral. Nesse cenário, o jiu-jitsu destaca-se como uma modalidade completa, capaz de proporcionar diversos benefícios à saúde de seus praticantes.
Por se tratar de uma atividade que integra esforço físico, raciocínio estratégico e controle emocional, sua prática contribui para o desenvolvimento da força, resistência, flexibilidade e coordenação motora. Paralelamente, promove a redução do estresse, o aumento da autoconfiança e o aprimoramento do autocontrole, tornando-se uma ferramenta eficaz tanto para o condicionamento físico quanto para o equilíbrio mental (SANTOS NETO; SILVA; TAVARES JÚNIOR, 2024; ANDRADE, 2025).
A escolha do tema treinamento esportivo de atletas praticantes de jiu-jitsu justifica-se pela crescente profissionalização da modalidade e pela necessidade de compreender como a organização adequada dos métodos de treino pode impactar diretamente o desempenho, a prevenção de lesões e a longevidade esportiva.
Considerando as altas exigências físicas, técnicas e táticas do jiu-jitsu, torna-se essencial investigar estratégias de treinamento que integrem essas dimensões de forma eficiente, contribuindo para a evolução dos atletas em diferentes níveis de prática. Nesse sentido, levanta-se o seguinte problema de pesquisa: de que maneira a estruturação do treinamento esportivo influencia o desempenho específico de atletas de jiu-jitsu?
Em resposta ao problema proposto, apresenta-se a hipótese de que um treinamento esportivo sistematizado, baseado em princípios científicos e adaptado às demandas da modalidade, promove melhorias significativas no desempenho técnico, físico e competitivo dos atletas.
Como objetivo geral, este artigo busca analisar a influência do treinamento esportivo no desempenho de atletas praticantes de jiu-jitsu. Como objetivos específicos, pretende-se identificar os principais componentes físicos e técnicos envolvidos no treinamento da modalidade e verificar como a aplicação de métodos de treinamento específicos contribui para a melhoria do rendimento esportivo.
2. CONTEXTUALIZAÇÃO
Historicamente, o jiu-jitsu possui uma trajetória marcada por transformações culturais, adaptações técnicas e processos de difusão que atravessaram continentes, já que sua origem remonta a sistemas de combate desenvolvidos no Oriente, especialmente no Japão feudal; onde guerreiros buscavam formas eficientes de se defender em situações nas quais o uso de armas não era possível. Nesse contexto, surgiram técnicas baseadas em alavancas, desequilíbrios e controle corporal, que permitiam neutralizar o oponente com economia de força (ANDRADE et al., 2023; SANTOS, 2024).
Essas práticas iniciais estavam ligadas à realidade dos samurais, que precisavam dominar não apenas o combate armado, mas também estratégias de enfrentamento corpo a corpo. O jiu-jitsu tradicional japonês, conhecido como jujutsu, englobava uma variedade de escolas, cada uma com suas particularidades técnicas e filosóficas; tendo o foco na eficiência, na adaptação e na utilização inteligente do corpo, princípios que permanecem até hoje como base desta modalidade (SANTOS JÚNIOR, 2022; NASCIMENTO et al., 2024).
Conforme mencionam Santos (2024) e Andrade (2025), com o passar do tempo, o Japão passou por mudanças sociais e políticas, especialmente durante o período de modernização no século XIX e algumas práticas marciais foram sistematizadas e adaptadas para novos objetivos, incluindo a educação física e o desenvolvimento moral; fazendo com que o jiu-jitsu assumisse novas abordagens mais estruturadas e pedagógicas.
A difusão do jiu-jitsu para fora do Japão ocorreu principalmente por meio de mestres que viajaram para outros países, levando consigo seus conhecimentos e adaptando-os às realidades locais. Esse processo foi fundamental para a expansão global da arte, permitindo que diferentes culturas incorporassem e reinterpretassem suas técnicas num cenário internacional (SANTOS JÚNIOR, 2022; NASCIMENTO et al., 2024).
No Brasil, o jiu-jitsu encontrou um ambiente propício para seu desenvolvimento e evolução, Andrade et al. (2023) e Andrade (2025) ressaltam que essas adaptações às características físicas e culturais dos praticantes brasileiros resultou em modificações na forma de treinar e aplicar as técnicas; o que fez com que o foco passasse a ter maior ênfase no combate no solo, no controle posicional e na finalização, aspectos que se tornaram marcas registradas do estilo desenvolvido no país.
Esse processo de transformação não ocorreu de forma imediata, mas sim ao longo de décadas de prática, experimentação e aprimoramento. A troca de experiências entre praticantes, a participação em desafios e competições e a constante busca por eficiência contribuíram para o refinamento técnico da modalidade; e o jiu-jitsu brasileiro passou, então, a se destacar no cenário internacional, influenciando diretamente outras modalidades de combate (SANTOS JÚNIOR, 2022; SANTOS, 2024).
A evolução histórica do jiu-jitsu também está diretamente relacionada à sua esportivização; marcada pela criação de regras, categorias de peso e sistemas de pontuação, o que permitiu que a prática fosse organizada em competições estruturadas; possibilitando maior visibilidade, crescimento do número de praticantes e reconhecimento institucional (NASCIMENTO et al., 2024; ANDRADE, 2025).
Santos Júnior (2022) e Andrade et al. (2023) destacam que o jiu-jitsu também influenciou no desenvolvimento de outras modalidades, especialmente aquelas que envolvem combate em diferentes distâncias. A eficiência das técnicas de controle e finalização contribuiu para mudanças na forma como o treinamento de luta é concebido.
Desta forma, observa-se que a consolidação do jiu-jitsu como esporte global também trouxe novos desafios como a necessidade de padronização, a formação de profissionais qualificados e a adaptação às demandas contemporâneas. Entretanto, conforme mencionam Santos Júnior (2022) e Andrade et al. (2023), apesar dos constantes ajustes, a essência da modalidade foi preservada, mantendo o equilíbrio entre tradição e inovação, o que garante sua continuidade e relevância histórica.
Do ponto de vista do treinamento esportivo, compreender os aspectos históricos do jiu-jitsu é fundamental para a formação de atletas, pois o conhecimento da origem das técnicas, das transformações ao longo do tempo e dos princípios que sustentam a prática permite uma abordagem mais consciente e eficiente; o que contribui não apenas para o desempenho, mas também para o desenvolvimento integral do praticante (NASCIMENTO et al., 2024; ANDRADE, 2025).
A história do jiu-jitsu revela uma trajetória de adaptação e evolução desde suas raízes no Japão até sua consolidação no Brasil e no mundo. Os conhecimentos sobre essa modalidade passaram por muitas mudanças que moldaram sua identidade atual, marcada pela dedicação dos mestres e professores em manter as tradições e ao mesmo tempo inovar quando necessário (SANTOS JÚNIOR, 2022; SANTOS, 2024).
De acordo com Andrade et al. (2023), a prática do jiu-jitsu também reflete valores culturais importantes, como disciplina, respeito e resiliência, elementos que foram incorporados ao longo de sua história e continuam presentes no treinamento contemporâneo.
A internacionalização do jiu-jitsu intensificou o intercâmbio entre diferentes estilos e abordagens. Dessa forma, competições em nível mundial contribuíram para elevar o nível técnico dos atletas e estimular a constante evolução das estratégias de combate (SANTOS JÚNIOR, 2022; ANDRADE et al., 2023).
Andrade et al. (2023) e Andrade (2025) apontam que a preparação física no jiu-jitsu representa um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento do desempenho esportivo, especialmente quando se considera a complexidade das exigências impostas pela modalidade. Trata-se de uma luta que envolve alta intensidade, variações constantes de ritmo e grande demanda técnica, o que exige do atleta não apenas habilidade, mas também um condicionamento físico adequado para sustentar suas ações ao longo do combate.
Dentro desse contexto, Nascimento et al. (2024) e Santos Neto, Silva e Tavares Júnior (2024). a preparação física assume um papel estratégico, pois contribui para a eficiência na execução das técnicas. Um atleta bem condicionado consegue aplicar movimentos com maior precisão, velocidade e controle, reduzindo o gasto energético desnecessário; o que se traduz em maior capacidade de manter o desempenho durante toda a luta, mesmo em situações de fadiga.
A força muscular é uma das capacidades mais relevantes para o praticante de jiu-jitsu, já que está presente em praticamente todas as ações, desde a pegada até as transições de posição e finalizações. Nesse contexto, o desenvolvimento da força permite maior domínio sobre o adversário, além de facilitar a execução de técnicas que exigem controle corporal e estabilidade; no entanto, é importante que essa força seja funcional e específica, respeitando as características do esporte (ANDRADE et al., 2023; SANTOS NETO; SILVA; TAVARES JÚNIOR, 2024).
Além da força, Nascimento et al. (2024) e Andrade (2025), mencionam que a resistência muscular desempenha um importante papel, especialmente em combates prolongados, uma vez que a capacidade de sustentar esforços repetitivos sem perda significativa de rendimento é determinante para o sucesso competitivo. No jiu-jitsu, essa resistência está associada à manutenção da pegada, ao controle posicional e à capacidade de reagir continuamente às ações do oponente.
A resistência aeróbia também contribui de forma significativa, embora muitas vezes seja subestimada, todavia ela é responsável pela recuperação entre esforços de alta intensidade e pela manutenção do nível de atividade ao longo do combate. Um bom condicionamento aeróbio permite que o atleta se recupere mais rapidamente entre as trocas de intensidade, mantendo-se competitivo até o final da luta (NASCIMENTO et al., 2024; SANTOS NETO; SILVA; TAVARES JÚNIOR, 2024).
Por outro lado, Andrade et al. (2023) mencionam que a capacidade anaeróbia é altamente exigida em momentos de explosão, como quedas, raspagens e tentativas de finalização; são ações que demandam potência e rapidez, sendo decisivas em muitos combates. Dessa forma, a preparação física deve contemplar estímulos que desenvolvam essa capacidade, garantindo que o atleta consiga responder de forma eficiente em situações críticas (SANTOS NETO; SILVA; TAVARES JÚNIOR, 2024).
Considerando que a amplitude de movimento adequada facilita a execução de técnicas e reduz o risco de lesões, a mobilidade e a flexibilidade são componentes importantes da preparação física no jiu-jitsu; permitindo que o atleta se adapte melhor a posições adversas, aumentando assim, suas chances de defesa e contra-ataque. Esses aspectos são especialmente relevantes em uma modalidade que envolve constante manipulação do corpo em diferentes planos (ANDRADE et al., 2023; ANDRADE, 2025).
Segundo Nascimento et al. (2024), no jiu-jitsu, o controle do tronco afeta diretamente a habilidade de manter posições dominantes e resistir às investidas do oponente, fazendo com que a estabilidade seja fundamental para a transmissão de força entre os segmentos corporais.
Santos Neto, Silva e Tavares Júnior (2024), ressaltam que a preparação física também exerce influência direta na prevenção de lesões, uma vez que o fortalecimento muscular, aliado ao desenvolvimento da mobilidade e da estabilidade, reduz a sobrecarga nas articulações e melhora a capacidade do corpo de suportar as demandas do treinamento e da competição; elementos fundamentais para a longevidade esportiva do atleta.
No planejamento do treinamento, é essencial considerar a especificidade da modalidade, de forma que os exercícios devem ser selecionados com o intuito de reproduzir, na medida do possível, as demandas do combate; o que engloba a utilização de movimentos multiarticulares, variações de intensidade e estímulos que simulem situações reais de luta (ANDRADE et al., 2023; NASCIMENTO et al., 2024).
A periodização do treinamento físico também é um aspecto importante, sendo primordial organizar as cargas ao longo do tempo, permitindo o desenvolvimento progressivo das capacidades físicas, evitando o excesso de treinamento e favorecendo a recuperação. Para atletas de jiu-jitsu, é fundamental equilibrar o treinamento técnico e físico, garantindo que ambos evoluam de forma integrada (NASCIMENTO et al., 2024; SANTOS NETO; SILVA; TAVARES JÚNIOR, 2024).
Considerando cada atleta possui características próprias, um treinamento individualizado é primordial, o que implica em adaptar os estímulos de acordo com as necessidades específicas de cada praticante, o que aumenta a eficácia do treinamento e reduz o risco de lesões (NASCIMENTO et al., 2024; ANDRADE, 2025).
Nascimento et al. (2024) afirmam que a preparação física tem um impacto no aspecto psicológico do atleta, pois um indivíduo bem treinado geralmente demonstra mais confiança em seu desempenho, o que pode ser fundamental em contextos competitivos.
Além disso, Andrade (2025) destaca que a percepção de estar em boa forma física auxilia no controle emocional e na capacidade de tomar decisões mais assertivas durante o combate. A combinação de preparação física e treinamento técnico é fundamental para o desenvolvimento integral do atleta, pois são elementos que se complementam.
No ambiente competitivo do jiu-jitsu, à medida que o nível dos atletas aumenta, torna-se necessário aprimorar cada vez mais as capacidades físicas para se manter competitivo, o que reforça a importância de um planejamento estruturado e baseado em princípios científicos (NASCIMENTO et al., 2024; ANDRADE, 2025)
A recuperação também faz parte da preparação física e deve ser valorizada com estratégias adequadas de descanso, alimentação e controle de carga; pois sem recuperação adequada, o desempenho tende a cair e o risco de lesões aumenta significativamente (SANTOS NETO; SILVA; TAVARES JÚNIOR, 2024;). Outro aspecto importante é a transferência do treinamento físico para situações reais de combate, pois não basta desenvolver capacidades físicas de forma isolada; é necessário que elas sejam aplicadas de maneira eficiente durante a luta. Isso exige integração, prática e adaptação constante por parte do atleta e do treinador (NASCIMENTO et al., 2024).
A preparação física no jiu-jitsu, portanto, vai muito além do simples condicionamento, ela envolve um conjunto de estratégias que visam potencializar o desempenho, prevenir lesões e promover o desenvolvimento integral do atleta; sendo sua influência percebida em todos os momentos do combate, desde as ações mais explosivas até a manutenção do controle em situações de desgaste (NASCIMENTO et al., 2024; ANDRADE, 2025). Dessa forma, investir em uma preparação física bem estruturada é essencial para qualquer atleta que busca evolução no jiu-jitsu. A combinação entre força, resistência, mobilidade e controle corporal cria uma base sólida para o desempenho técnico (NASCIMENTO et al., 2024; ANDRADE, 2025).
A preparação física é um elemento indispensável no jiu-jitsu moderno, tendo sua importância relacionada à capacidade de sustentar o desempenho, adaptar-se às exigências do combate e evoluir continuamente. Assim sendo, quando bem planejada e executada, ela se torna um diferencial competitivo significativo, contribuindo para o sucesso esportivo e para a formação de atletas mais completos (NASCIMENTO et al., 2024; SANTOS NETO; SILVA; TAVARES JÚNIOR, 2024).
3. MATERIAIS E MÉTODOS
Para o desenvolvimento do tema proposto, foi realizado um estudo de abordagem qualitativa, fundamentado em uma revisão integrativa da literatura. O estudo foi desenvolvido com base na coleta de dados científicos de artigos e bases de dados online, como Scielo e Google Acadêmico, utilizando materiais previamente publicados sobre o assunto como referência.
Foram incluídos na análise artigos publicados nos últimos 6 anos, escritos em português, que abordaram temas relacionados à rendimento, preparação física e atletas de jiu-jitsu. Foram excluídos os artigos duplicados, estudos que não apresentaram relação direta com a proposta do estudo e aqueles que foram publicados fora do recorte temporal delimitado.
As etapas da pesquisa consistiram em: levantamento bibliográfico nas bases mencionadas; leitura exploratória de títulos e resumos para seleção inicial dos materiais; leitura analítica dos textos completos para confirmação da relevância; organização e categorização dos dados obtidos; análise crítica e discussão dos resultados com base no referencial teórico.
Após realização dessas pesquisas o material foi analisado e consistiu na fundamentação teórica do presente artigo.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após realização das pesquisas e análise dos artigos científicos selecionados a partir dos critérios estabelecidos, chegou a um total de 5 artigos.
A pesquisa elaborada por Silva et al. (2020) teve como objetivo discutir os principais fatores relacionados ao desempenho físico e fisiológico de atletas de Brazilian Jiu-Jitsu. O estudo buscou compreender quais capacidades físicas exercem maior influência sobre o rendimento competitivo na modalidade.
Para isso, a metodologia empregada baseou-se em uma revisão da literatura, compilando pesquisas científicas vinculadas às demandas fisiológicas do jiu-jitsu, como força muscular, resistência cardiorrespiratória, potência, flexibilidade e composição corporal. Os autores também examinaram estudos que envolvem respostas metabólicas e neuromusculares durante combates (SILVA et al., 2020).
Os resultados do estudo de Silva et al. (2020) sugeriram que o desempenho no jiu-jitsu exige uma combinação de habilidades físicas específicas. Entre esses fatores, destacam-se a força de preensão manual, resistência muscular localizada, potência anaeróbica e condicionamento aeróbico. O referido estudo revelou que atletas com melhor preparo físico apresentam maior eficácia técnica, menor fadiga durante as lutas e recuperam-se mais rapidamente entre os combates. Ademais, os autores destacaram a importância de periodizar o treinamento e monitorar as cargas físicas.
Na conclusão, os pesquisadores enfatizam que a preparação física específica é essencial para o rendimento competitivo dos praticantes de jiu-jitsu. A pesquisa enfatiza que os programas de treinamento precisam ser desenvolvidos de forma personalizada, considerando as especificidades fisiológicas e técnicas da modalidade (SILVA et al., 2020).
A pesquisa conduzida por Silva Neto e Dechechi (2021) examinou os impactos de um programa de treinamento anaeróbico específico na força de preensão manual e na potência muscular de atletas de jiu-jitsu. O objetivo do estudo foi determinar se exercícios adaptados às necessidades da modalidade poderiam aprimorar as habilidades físicas essenciais para o desempenho competitivo.
A metodologia consistiu em um estudo experimental realizado com atletas praticantes de jiu-jitsu submetidos a um programa de treinamento anaeróbico durante algumas semanas. Foram aplicados testes físicos antes e após o período de intervenção para avaliar força de pegada manual, potência muscular e resistência física. Os exercícios incluíram ações explosivas, treinamento intervalado de alta intensidade e movimentos específicos da luta (SILVA NETO; DECHECHI, 2021).
Os resultados mostraram melhora significativa na força de preensão manual dos atletas, aspecto essencial para o controle do adversário durante pegadas e finalizações. Além disso, houve aumento da potência muscular e melhora na resistência anaeróbica (SILVA NETO; DECHECHI, 2021).
Os pesquisadores observaram que o treinamento específico promove adaptações fisiológicas importantes, favorecendo maior eficiência em ações de curta duração e alta intensidade, características predominantes no jiu-jitsu competitivo.
Na conclusão, os autores destacam que a preparação física específica voltada ao sistema anaeróbico é fundamental para o desenvolvimento do desempenho esportivo em atletas de jiu-jitsu. O estudo reforça que programas de treinamento direcionados às exigências reais da modalidade podem melhorar significativamente a performance competitiva. Também foi ressaltada a importância da força de pegada como fator decisivo durante os combates, influenciando diretamente o controle técnico e a capacidade de execução das técnicas de luta (SILVA NETO; DECHECHI, 2021).
O estudo de Correia et al. (2025) investigou os impactos de um teste de desempenho direcionado a atletas experientes de jiu-jitsu, considerando a fadiga neuromuscular.
O principal objetivo da pesquisa foi analisar como estímulos físicos semelhantes às demandas reais da luta influenciam a capacidade neuromuscular dos praticantes, considerando que o jiu-jitsu exige altos níveis de força, resistência muscular e potência durante os combates.
A metodologia utilizada consistiu em uma pesquisa experimental com atletas experientes de jiu-jitsu. Os participantes foram submetidos a um protocolo específico de esforço físico composto por movimentos técnicos e ações simuladas da modalidade. Antes e após o teste, foram realizadas avaliações neuromusculares, incluindo análise de força, potência muscular e percepção subjetiva de fadiga. Os pesquisadores também monitoraram variáveis fisiológicas relacionadas ao desempenho físico (CORREIA et al., 2025).
Os resultados demonstraram redução significativa na capacidade neuromuscular após o protocolo de desempenho específico. Houve queda nos níveis de força explosiva, aumento da fadiga muscular e diminuição da eficiência motora dos atletas.
Os autores observaram que as exigências fisiológicas do jiu-jitsu produzem elevado desgaste físico, especialmente em ações intermitentes de alta intensidade. Além disso, verificou-se que atletas melhor condicionados apresentaram recuperação mais eficiente e menor perda de desempenho (CORREIA et al., 2025).
A conclusão do estudo aponta que a preparação física específica exerce papel fundamental na manutenção do rendimento competitivo no jiu-jitsu. Os autores destacam que programas de treinamento voltados ao desenvolvimento da resistência neuromuscular, força explosiva e recuperação fisiológica podem minimizar os efeitos da fadiga durante as lutas.
Dessa forma, a pesquisa reforça a importância de um planejamento físico individualizado para otimizar o desempenho esportivo e prevenir quedas de rendimento em competições (CORREIA et al., 2025).
O estudo desenvolvido por Gomez (2026) abordou a importância da preparação física específica como estratégia preventiva para lesões em praticantes de jiu-jitsu. O objetivo principal da pesquisa foi analisar como programas de treinamento físico direcionados podem reduzir os riscos de lesões musculoesqueléticas frequentemente observadas na modalidade.
A metodologia de Gomez (2026) baseou-se em uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo e descritivo. O autor optou por estudos científicos relacionados às lesões mais comuns no jiu-jitsu e às habilidades físicas fundamentais para a prática segura do esporte.
Os resultados indicaram que o jiu-jitsu apresenta uma elevada incidência de lesões nas articulações, músculos e ligamentos, particularmente nos ombros, joelhos, coluna vertebral e dedos das mãos. A pesquisa mostrou que atletas que participam de programas específicos de fortalecimento muscular, treinamento funcional, exercícios proprioceptivos e melhoria da mobilidade apresentam menor incidência de lesões e melhor desempenho competitivo.
O estudo mostrou que o desequilíbrio muscular e o excesso de treinamento sem recuperação adequada aumentam significativamente os riscos de lesão (GOMEZ, 2026).
Na conclusão, o autor enfatiza que a preparação física específica deve ser considerada um elemento essencial no treinamento de atletas de jiu-jitsu. Segundo o estudo, o trabalho preventivo não apenas reduz o risco de lesões, mas também aprimora o desempenho esportivo, proporcionando maior estabilidade corporal, resistência física e segurança durante os combates (GOMEZ, 2026).
Gomes (2026) sugere que treinadores e preparadores físicos implementem programas personalizados e periodizados, levando em consideração as demandas fisiológicas e biomecânicas de cada atleta.
O estudo realizado por Ribeiro e Rezzo (2026) abordou a intervenção fisioterapêutica na prevenção e no tratamento de lesões musculoesqueléticas em atletas de jiu-jitsu. O principal objetivo foi investigar as lesões mais frequentes associadas à modalidade e identificar técnicas fisioterapêuticas eficazes para a recuperação e prevenção.
A metodologia utilizada foi uma revisão de literatura de caráter qualitativo, baseada na análise de artigos científicos publicados sobre lesões esportivas em lutadores de jiu-jitsu. Foram selecionados estudos que abordavam incidência de lesões, fatores de risco, protocolos de reabilitação e métodos preventivos relacionados à prática da modalidade (RIBEIRO; REZZO, 2026).
Os resultados da pesquisa conduzida por Ribeiro e Rezzo (2026) mostraram uma alta incidência de lesões em articulações como ombros, joelhos, coluna cervical e dedos das mãos. O estudo mostrou que movimentos repetitivos, excesso de esforço físico e técnicas de submissão têm um papel importante no desenvolvimento dessas lesões.
Além disso, a pesquisa constatou que programas de fisioterapia que incluem fortalecimento muscular, exercícios proprioceptivos, mobilidade articular e recuperação funcional são eficazes na prevenção e reabilitação de atletas (RIBEIRO; REZZO, 2026).
Na conclusão, os autores destacam que a intervenção fisioterapêutica é fundamental para manter a saúde e o desempenho no jiu-jitsu. Segundo a pesquisa, o uso de estratégias preventivas aliado a uma preparação física adequada reduz o risco de lesões e aumenta a longevidade no esporte (RIBEIRO; REZZO, 2026).
O estudo recomenda integração entre fisioterapeutas, preparadores físicos e treinadores para desenvolvimento de programas multidisciplinares voltados à segurança e ao rendimento competitivo.
5. CONCLUSÃO
A análise do impacto do condicionamento físico no desempenho específico de atletas de jiu-jitsu revelou que o aprimoramento das habilidades físicas é um dos principais elementos para o progresso técnico e competitivo no esporte.
O jiu-jitsu contemporâneo exige que os competidores possuam elevados níveis de força, resistência muscular, potência, mobilidade, equilíbrio e controle corporal. Por isso, é fundamental combinar o treinamento técnico com a preparação física específica.
A preparação física deve ser considerada não apenas um acréscimo ao treinamento esportivo, mas um componente essencial para sustentar o desempenho durante as competições e preservar a saúde do atleta.
Ao longo do estudo, verificou-se que atletas submetidos a programas de treinamento estruturados e individualizados apresentam melhor desempenho em ações específicas da luta, especialmente em situações que exigem explosão muscular, manutenção da pegada, controle posicional e recuperação entre esforços de alta intensidade. A melhora da resistência muscular e da capacidade anaeróbica mostrou-se determinante para sustentar o rendimento ao longo das lutas, reduzindo os efeitos da fadiga e favorecendo maior eficiência técnica durante as disputas competitivas.
Outro aspecto relevante identificado foi a relação entre preparação física e prevenção de lesões. O jiu-jitsu é uma prática de contato físico intenso que envolve movimentos repetitivos, projeções, torções articulares e uma alta demanda musculoesquelética.
Nesse contexto, o fortalecimento muscular, a estabilidade das articulações, a mobilidade e os exercícios proprioceptivos se mostraram essenciais para reduzir o risco de lesões, especialmente em regiões como ombros, joelhos, coluna e mãos. Assim, uma preparação física adequada não apenas melhora o desempenho esportivo, mas também garante a segurança e a durabilidade do atleta na modalidade.
Além disso, ficou evidente que a periodização do treinamento é fundamental para o desenvolvimento equilibrado das habilidades físicas. A adequada distribuição das cargas de treino, aliada a estratégias de recuperação física e monitoramento do desgaste fisiológico, contribui para evitar o overtraining e minimizar quedas de desempenho.
As pesquisas examinadas enfatizaram a importância da colaboração multidisciplinar no contexto esportivo do jiu-jitsu. A cooperação entre preparadores físicos, treinadores e fisioterapeutas foi essencial para criar estratégias voltadas para a melhoria do desempenho competitivo e a prevenção de lesões.
Essa estratégia integrada permite o monitoramento constante do atleta, o que possibilita intervenções mais eficientes tanto no aspecto físico quanto na recuperação funcional.
Diante do exposto, pode-se concluir que a preparação física exerce um impacto direto e significativo no desempenho específico de atletas de jiu-jitsu. Quando organizada de forma científica, sistemática e adaptada às demandas da modalidade, ela eleva o desempenho técnico, aperfeiçoa as habilidades fisiológicas, reduz o risco de lesões e contribui para o desenvolvimento integral do atleta.
Portanto, investir em programas de treinamento físico específicos é uma abordagem fundamental para alcançar melhores resultados competitivos e aprimorar a qualidade da prática do jiu-jitsu.
9. REFERÊNCIAS
ANDRADE, T. N. Do tatame ao mundo: jiu-jítsu brasileiro um fenômeno midiático entre apropriação cultural, disputa simbólica e formação ética. Revista Mediação, [S.l.], v. 27, n. 38, p. 283-296, 2025. Disponível em: https://revista.fumec.br/index.php/mediacao/article/view/10562. Acesso em: 24 mar. 2026.
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Citação:
CAMPOS, Lucas Rogério; FERREIRA, Thiago Henrique; PAMPLONA, Victor Siqueira; BRANDÃO Wellington Justino. Influência da preparação física no desempenho específico de atletas de jiu-jitsu. Revista QUALYACADEMICS. Editora UNISV; v.4, n.2, 2026; p. 455-471. ISSN 2965976-0 | D.O.I.:
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