PERFIL DEMOGRÁFICO E PADRÕES CIRCUNSTANCIAIS DOS ÓBITOS POR ACIDENTES DE TRÂNSITO EM REGIÃO METROPOLITANA DA GRANDE VITÓRIA: ANÁLISE MÉDICO-LEGAL
DEMOGRAPHIC PROFILE AND CIRCUMSTANTIAL PATTERNS OF TRAFFIC ACCIDENT FATALITIES IN THE GREATER VITÓRIA METROPOLITAN REGION: A MEDICO-LEGAL ANALYSIS
Informações Básicas
Revista Qualyacademics v.4, n.2
ISSN: 2965976-0
Tipo de Licença: Creative Commons, com atribuição e direitos não comerciais (BY, NC).
Recebido em: 02/11/2026
Aceito em: 03/11/2026
Revisado em: 03/11/2026
Processado em: 04/11/2026
Publicado em: 04/11/2026
Categoria do artigo: Resumo Estendido
Como citar esse material:
OLIVEIRA, Luis Felipe Sarmenghi. Perfil demográfico e padrões circunstanciais dos óbitos por acidentes de trânsito na região metropolitana da grande Vitória: análise médico-legal (Resumo Estendido). Revista QUALYACADEMICS. Editora UNISV; v.4, n.2, 2026; p. 781-785. ISSN 2965976-0 | D.O.I.:
Autoria:
Luis Felipe Sarmenghi de Oliveira
ORCID: 0009-0009-5192-9446. Graduação em Medicina pela Faculdade Brasileira (MULTIVIX - Vitória/ES); Residência Médica em Cirurgia Geral pelo Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV/AEBES) – Contato: felipesarmenghi@hotmail.com
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1. INTRODUÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO
Os agravos por causas externas, particularmente as lesões decorrentes de colisões e sinistros viários, representam um grave desafio para os sistemas de saúde pública e para a previdência socioeconômica global. Estima-se que mais de 1,2 milhão de vidas sejam ceifadas anualmente no mundo em decorrência do trânsito, com expressiva concentração em nações em desenvolvimento devido à expansão urbana descompassada e à precariedade na infraestrutura de mobilidade. No Brasil, o crescimento expressivo da frota automotiva a partir da década de 2000, somado à conduta imprudente ao volante, uso de substâncias psicoativas e inadequação viária, consolidou o país entre as nações com maior número absoluto de mortes no trânsito mundial. O expressivo contingente de vítimas em fase produtiva da vida acarreta elevados custos diretos aos cofres públicos com hospitalização e reabilitação, além de expressiva perda econômica indireta decorrente de anos potenciais de vida perdidos. Compreender os condicionantes sociodemográficos e as características dos sinistros em nível metropolitano é essencial para orientar a fiscalização, intervenções de tráfego e campanhas preventivas.
2. OBJETIVOS
Caracterizar o perfil sociodemográfico (sexo, faixa etária, estado civil e raça/cor) das vítimas fatais de acidentes de trânsito na Região Metropolitana de Vitória (ES);
Identificar os tipos de sinistros mais incidentes (automobilístico, motociclístico e atropelamento) e os municípios da Grande Vitória com maior concentração de eventos fatais.
3. METODOLOGIA
Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, de delineamento transversal e abordagem quantitativa, realizado com dados secundários da Região Metropolitana de Vitória (formada pelos municípios de Vitória, Serra, Vila Velha, Cariacica, Viana, Guarapari e Fundão). A população-alvo compreendeu os óbitos por acidentes de trânsito periciados no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória no intervalo de julho de 2015 a julho de 2016. Foram incluídas todas as fichas cadavéricas de vítimas fatais de eventos de trânsito ocorridos no território metropolitano, excluindo-se aquelas procedentes de outras regiões do estado. A coleta foi realizada mediante análise das fichas de óbito arquivadas, preservando o sigilo de identidade dos envolvidos segundo os preceitos éticos da Resolução CNS nº 466/2012 e os princípios da bioética de não maleficência e beneficência. As variáveis analisadas compreenderam: gênero, estrato etário, estado civil, etnia, tipo de sinistro (automobilístico, motociclístico e atropelamento) e localidade do evento.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram analisadas 134 fichas de necropsia de vítimas fatais no período delimitado.
4.1. CARACTERIZAÇÃO SOCIODEMOGRÁFICA
Distribuição por Gênero: Houve predomínio marcante do sexo masculino, correspondendo a 81,3% dos óbitos (n = 109), enquanto o sexo feminino respondeu por 18,7% (n = 25). Tal disparidade corrobora a literatura nacional sobre comportamentos de risco mais frequentes entre condutores homens, como o excesso de velocidade, consumo concomitante de álcool e direção defensiva reduzida.
Etnia/Raça: Os indivíduos autodeclarados pardos foram a maioria expressiva, totalizando 89 vítimas (66,4%), seguidos por 20 brancos (14,9%), 19 negros (14,2%) e 6 casos sem declaração nos registros médico-legais.
Estado Civil: Os solteiros constituíram o grupo mais vulnerável, totalizando 69 óbitos (51,5% — sendo 56 homens e 13 mulheres), enquanto casados representaram 43 óbitos (37 homens e 6 mulheres). Registrou-se ainda menor proporção de divorciados (n = 10), viúvos (n = 2) e registros sem preenchimento (n = 10).
Faixas Etárias: As faixas compreendidas entre 29 a 38 anos e 39 a 48 anos concentraram os maiores picos de mortalidade, com 29 óbitos cada uma (totalizando 43,3% da amostra). No estrato de 29 a 38 anos, houve maior prevalência de óbitos masculinos (n = 26), ao passo que a mortalidade feminina exibiu maior concentração proporcional entre 39 e 48 anos (n = 10).
4.2. MODALIDADES DE SINISTRO E DISPARIDADE POR SEXO
Entre as modalidades de evento:
Acidentes automobilísticos: Modalidade mais prevalente, somando 54 mortes (40,3%), das quais 39 vitimaram homens e 15 vitimaram mulheres.
Atropelamentos: Segunda causa de óbito, com 46 ocorrências (34,3%), envolvendo 37 homens e 9 mulheres, demonstrando a acentuada vulnerabilidade dos pedestres no sistema viário local.
Acidentes motociclísticos: Registraram 34 vítimas fatais (25,4%), com nítida assimetria de gênero: 33 eram homens e apenas 1 mulher, refletindo a exposição ocupacional e comportamental dos motociclistas masculinos.
4.3. DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DOS ÓBITOS
Na estratificação municipal, o maior número de mortes concentrou-se no município da Serra, com 38 registros (28,4%), seguido por Vila Velha com 26 casos (19,4%) e pelo município de Vitória com 22 ocorrências (16,4%). A maior incidência na Serra relaciona-se à sua ampla malha rodoviária federal e estadual cortando áreas urbanizadas densas, o que potencializa conflitos entre veículos de carga, automóveis de passeio e pedestres.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os dados demonstram que a mortalidade por acidentes de trânsito na Região Metropolitana de Vitória incide predominantemente sobre homens jovens e de meia-idade, solteiros, pardos e em idade economicamente produtiva. Os acidentes automobilísticos e atropelamentos despontaram como as principais circunstâncias fatais, com a Serra figurando como o município de maior criticidade espacial. Os achados reforçam a urgência de intervenções setoriais de engenharia de tráfego nas rodovias metropolitanas e campanhas educativas direcionadas aos condutores masculinos e pedestres, mitigando perdas humanas evitáveis e reduzindo o impacto financeiro decorrente desses sinistros no sistema de saúde capixaba.
6. PALAVRAS-CHAVE
Acidentes de Trânsito; Mortalidade; Medicina Legal; Epidemiologia Descritiva; Saúde Pública.
7. REFERÊNCIAS SELECIONADAS
ARAÚJO, Gabriel Alves de Paula; SANTANA, Gustavo Viana; NOGUEIRA, Igor de Souza Chaves; OLIVEIRA, Luís Felipe Sarmenghi de; VIEIRA, Vitor Lavagnoli; OLIVEIRA, Warley Rocha de. Mortalidade por acidentes de trânsito na Região Metropolitana de Vitória. Revista Esfera Acadêmica Saúde, Vitória, v. 2, n. 1, p. 52-58, 2017 (artigo original da pesquisa).
ALMEIDA, R. L. F. et al. Via, homem e veículo: fatores de risco associados à gravidade dos acidentes de trânsito. Revista de Saúde Pública, v. 47, n. 4, p. 718-731, 2013.
ARAÚJO, M. M.; MALLOY-DINIZ, L. F.; ROCHA, F. L. Impulsividade e acidentes de trânsito. Revista de Psiquiatria Clínica, v. 36, n. 2, p. 60-68, 2009.
CARVALHO, A. et al. Custos das Mortes por Causas Externas no Brasil. Brasília: IPEA, 2015.
MORAIS NETO, O. L. et al. Mortalidade por Acidentes de Transporte Terrestre no Brasil na última década: tendência e aglomerados de risco. Ciência & Saúde Coletiva, v. 17, n. 9, p. 2223-2236, 2012.
OLIVEIRA, N. L. B.; SOUSA, R. M. C. Ocorrências de trânsito com motocicleta e sua relação com a mortalidade. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 19, n. 2, p. 403-410, 2011.
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Citação:
OLIVEIRA, Luis Felipe Sarmenghi. Perfil demográfico e padrões circunstanciais dos óbitos por acidentes de trânsito na região metropolitana da grande Vitória: análise médico-legal (Resumo Estendido). Revista QUALYACADEMICS. Editora UNISV; v.4, n.2, 2026; p. 781-785. ISSN 2965976-0 | D.O.I.:
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