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GESTÃO VISUAL E PADRONIZAÇÃO DE PROCESSOS EM OBRAS: ESTRATÉGIAS LEAN PARA AUMENTAR A EFICIÊNCIA

Atualizado: 27 de jan.

VISUAL MANAGEMENT AND PROCESS STANDARDIZATION IN CONSTRUCTION SITES: LEAN STRATEGIES TO INCREASE EFFICIENCY


 




Informações Básicas

  • Revista Qualyacademics v.3, n.2

  • ISSN: 2965976-0

  • Tipo de Licença: Creative Commons, com atribuição e direitos não comerciais (BY, NC).

  • Recebido em: 29/12/2025

  • Aceito em: 01/01/2026

  • Revisado em: 01/01/2026

  • Processado em: 02/01/2026

  • Publicado em: 03/01/2026

  • Categoria do artigo: Estudo de Revisão



Como citar esse material:


VIEIRA, Martha Vitória Carvalho. Gestão visual e padronização de processos em obras: estratégias lean para aumentar a eficiência. Revista QUALYACADEMICS. Editora UNISV; v.3, n.1, 2025; p. 937-950. ISSN 2965976-0 | D.O.I.: doi.org/10.59283/unisv.v3n2.038

 


Autores:



Martha Vitória Carvalho Vieira

Técnica em Edificações e Especialista em Lean Construction





RESUMO



A gestão visual e a padronização de processos são práticas fundamentais para o aumento da eficiência e da comunicação em canteiros de obras. Baseadas na filosofia Lean Construction, essas ferramentas possibilitam a identificação rápida de falhas, a melhoria da segurança e a criação de fluxos produtivos estáveis e previsíveis. Este artigo apresenta uma análise aprofundada das principais técnicas de gestão visual aplicadas à construção civil, relacionando-as à padronização de processos e à melhoria contínua. São discutidos casos práticos, desafios de implementação e uma proposta de modelo visual para obras, demonstrando como o uso integrado dessas estratégias pode transformar a cultura organizacional e elevar o desempenho dos projetos.

 

Palavras-chave: Lean Construction; Gestão Visual; Padronização; Melhoria Contínua; Canteiro de Obras; Produtividade.

 

ABSTRACT

 

Visual management and process standardization are fundamental practices for improving efficiency and communication in construction sites. Based on the Lean Construction philosophy, these tools enable the rapid identification of failures, the enhancement of safety, and the creation of stable and predictable production flows. This paper presents an in-depth analysis of the main visual management techniques applied to the construction industry, relating them to process standardization and continuous improvement. Practical cases, implementation challenges, and a proposed visual model for construction sites are discussed, demonstrating how the integrated use of these strategies can transform organizational culture and increase project performance.

 

Keywords: Lean Construction; Visual Management; Standardization; Continuous Improvement; Construction Site; Productivity.


1. INTRODUÇÃO

 

A implementação de princípios Lean na construção civil ainda é um desafio em muitos canteiros de obras brasileiros. Isso ocorre, em grande parte, pela natureza fragmentada do setor, pela rotatividade de profissionais e pela ausência de uma cultura consolidada de planejamento e melhoria contínua. Apesar de o Lean Construction ter sido amplamente estudado e aplicado em países como Estados Unidos, Reino Unido e Chile, no Brasil sua adoção ainda se concentra em grandes construtoras e empreendimentos corporativos. Assim, compreender e aplicar a gestão visual e a padronização de processos em ambientes de menor escala é um passo essencial para democratizar a filosofia Lean e torná-la acessível a empresas de pequeno e médio porte.


Além disso, o contexto atual de digitalização e de aumento das exigências por produtividade reforça a importância de ferramentas visuais que traduzam, de forma clara, os indicadores e as metas do canteiro. A gestão visual se torna, assim, não apenas um instrumento de comunicação, mas também uma ferramenta de integração entre o planejamento e a execução, promovendo o engajamento coletivo e a transparência operacional.


Portanto, este artigo busca aprofundar a compreensão sobre como os sistemas visuais e a padronização contribuem para reduzir a variabilidade e criar um ambiente de aprendizagem contínua, consolidando-se como uma etapa intermediária entre o 5S e o Last Planner System dentro da jornada Lean.


Este estudo dá continuidade às reflexões apresentadas por Vieira (2025) em “Mais que organização: como a metodologia 5S transforma canteiros de obras em ambientes produtivos e seguros”, publicado na Revista Científica Multidisciplinar O Saber (RCMOS). Enquanto o artigo anterior abordou o 5S como base para a construção de ambientes organizados e disciplinados, esta nova pesquisa amplia a discussão para o campo da Gestão Visual e da Padronização de Processos, elementos fundamentais para consolidar a cultura Lean nos canteiros de obras. Assim, propõe-se compreender como a comunicação visual e os padrões operacionais podem sustentar os resultados obtidos com o 5S, promovendo maior eficiência, previsibilidade e engajamento das equipes.


A indústria da construção civil é caracterizada por alta variabilidade, prazos longos e baixa previsibilidade. Segundo Formoso et al. (2019), a falta de padronização dos processos e de comunicação efetiva entre os diferentes agentes do projeto é uma das principais causas de desperdícios e retrabalhos. Nesse contexto, os princípios do Lean Construction surgem como uma alternativa eficiente para reduzir desperdícios e maximizar valor para o cliente. Entre as ferramentas mais eficazes estão a gestão visual e a padronização de processos, que permitem alinhar informações, reduzir falhas de execução e tornar o ambiente produtivo mais previsível. O objetivo deste artigo é demonstrar, a partir de fundamentos teóricos e práticos, como essas ferramentas podem ser aplicadas em obras de pequeno, médio e grande porte, ressaltando os benefícios obtidos e os principais desafios enfrentados na implementação.


A variabilidade é um fenômeno inerente aos canteiros de obras, decorrente de fatores climáticos, logísticos e humanos. No modelo Lean, a gestão visual atua como elemento estabilizador, pois permite detectar desvios em tempo real e atuar preventivamente, reduzindo incertezas e aumentando a confiabilidade do fluxo produtivo. Dessa forma, a visibilidade das informações operacionais deixa de ser apenas um recurso de apoio e passa a integrar o próprio sistema de produção, contribuindo para a construção de um fluxo mais estável e previsível.

 

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

 

2.1. LEAN CONSTRUCTION E SEUS PRINCÍPIOS

 

Os conceitos fundamentais do Lean, originalmente desenvolvidos na indústria automobilística japonesa, foram adaptados para a construção por Glenn Ballard e Greg Howell na década de 1990. Eles identificaram que, enquanto as fábricas buscavam fluxo contínuo e eliminação de estoques, os canteiros de obras enfrentavam o desafio da variabilidade diária de atividades, equipes e condições externas. Assim, a aplicação do Lean Construction exige compreender que cada projeto é um sistema de produção temporário, no qual a coordenação e a confiabilidade das entregas são mais importantes do que a simples velocidade.


A filosofia Lean na construção visa transformar a mentalidade tradicional de comando e controle em uma abordagem colaborativa e sistêmica, onde todos os agentes — projetistas, engenheiros, mestres e operários — participam do processo de tomada de decisão. Para isso, a gestão visual e a padronização de processos funcionam como alicerces da cultura Lean, oferecendo meios simples de enxergar o status da produção e agir preventivamente contra desperdícios.

 

Na construção civil, esses princípios são aplicados por meio de ferramentas como o Last Planner® System, o Value Stream Mapping (VSM), a gestão visual e a padronização de processos. O objetivo é garantir que cada etapa agregue valor e que os fluxos de trabalho sejam claros, colaborativos e mensuráveis.

 

2.2. CONCEITO DE GESTÃO VISUAL

 

A gestão visual (Visual Management) tem origem nas práticas da manufatura enxuta. Segundo Liker (2004), o propósito é 'tornar o estado do sistema visível para todos', permitindo que qualquer colaborador identifique anomalias e atue proativamente. No canteiro de obras, isso se traduz em murais, quadros de acompanhamento, cronogramas físicos, etiquetas de status e mapas visuais. A comunicação visual é essencial porque as informações técnicas de projeto nem sempre são acessíveis ou compreensíveis para todos os profissionais de campo. O uso de painéis e indicadores substitui relatórios longos e complexos, garantindo rapidez na tomada de decisão.


A gestão visual se conecta diretamente ao conceito de transparência operacional do Lean Thinking. Womack e Jones (2003) destacam que, quando os fluxos de trabalho e os resultados são visíveis, a equipe deixa de depender de supervisão constante e passa a se autogerir. Na construção civil, essa transparência é ainda mais necessária, pois os canteiros envolvem equipes multifuncionais e atividades simultâneas.


O uso de painéis e símbolos visuais atua como uma linguagem universal, reduzindo ruídos de comunicação e promovendo o aprendizado no local de trabalho (learning by doing). Além disso, essa prática reforça o ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act), fundamental para a melhoria contínua.  Assim, a gestão visual não se limita à comunicação: ela opera como um sistema de aprendizado coletivo, que reorienta o comportamento das equipes e amplia a capacidade de tomada de decisão no próprio local de trabalho

 

3. APLICAÇÕES PRÁTICAS DA GESTÃO VISUAL EM OBRAS

 

3.1. QUADROS DE PRODUÇÃO E INDICADORES

 

Os quadros de produção (daily boards) são usados para acompanhar metas semanais e diárias, destacando avanços e gargalos. Cada equipe visualiza suas tarefas, responsabilidades e prazos, o que reduz atrasos e melhora o comprometimento coletivo.

 

3.2. SINALIZAÇÕES E ANDONS

 

Sinalizações de segurança, faixas coloridas e etiquetas de status (verde, amarelo, vermelho) são aplicadas em equipamentos, áreas de estoque e frentes de serviço. Essas cores tornam o status do trabalho imediatamente perceptível, permitindo ajustes rápidos e evitando retrabalhos.

 

3.3. MAPAS DE FLUXO E LAYOUTS PADRONIZADOS

 

O Value Stream Mapping (VSM) auxilia na identificação de fluxos de materiais, movimentações desnecessárias e pontos de espera. Com base nesse mapa, é possível reorganizar o layout do canteiro, reduzindo deslocamentos e otimizando o uso do espaço físico.


A gestão visual também desempenha um papel pedagógico dentro dos canteiros. Quando os quadros, fluxogramas e indicadores são apresentados de forma clara e objetiva, as equipes passam a compreender melhor como o seu trabalho contribui para o resultado global da obra. Isso fortalece o senso de pertencimento e reduz o comportamento reativo, comum em ambientes com pouca informação compartilhada.


Um exemplo prático foi observado em obras residenciais de médio porte na cidade de João Pessoa (PB), onde a implantação de painéis diários de produção e segurança resultou em redução de 18% no retrabalho e aumento de 22% na produtividade média das frentes de serviço em três meses. Esses dados demonstram que a comunicação visual eficaz se transforma em ferramenta de gestão e de motivação, reforçando o ciclo de aprendizado coletivo.


Outra aplicação importante é o uso de cartões kanban e fluxogramas físicos nas etapas de suprimentos e controle de materiais. Esse método permite que os operários identifiquem visualmente quando um item precisa ser reposto, evitando atrasos e desperdícios por falta de insumos. Em algumas obras de médio porte, a simples implantação do kanban reduziu o tempo médio de reposição de materiais em até 40%.


Em paralelo, a gestão visual também se mostrou útil na área de segurança do trabalho, onde murais e quadros de incidentes comunicam em tempo real os resultados e metas de segurança. Esse tipo de controle visual reforça o comportamento preventivo e ajuda a construir uma cultura de segurança baseada em evidências e não em punições.


Dessa forma, as aplicações da gestão visual vão além da produtividade: elas atuam sobre o comportamento organizacional, transformando o canteiro em um espaço de aprendizado constante e colaboração horizontal. Esse tipo de controle visual reforça o comportamento preventivo e sustenta uma cultura de segurança baseada em evidências, com feedbacks rápidos e foco em causas, não em culpados.


Entre os indicadores mais utilizados na filosofia Lean destaca-se o Percent Plan Complete (PPC), que mede o percentual de tarefas concluídas conforme o planejado. Quando associado à gestão visual, o PPC deixa de ser apenas um valor numérico e se transforma em um instrumento de aprendizado coletivo. A análise sistemática dos desvios entre o planejado e o realizado permite que a equipe identifique causas de falhas, padronize boas práticas e ajuste o fluxo produtivo de forma ágil e colaborativa, fortalecendo a cultura de melhoria contínua no canteiro

 

4. PADRONIZAÇÃO DE PROCESSOS E DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA

 

4.1 PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS PADRÃO (POPS)

 

Os POPs descrevem passo a passo as atividades construtivas, com instruções sobre materiais, ferramentas, sequência de execução e padrões de qualidade. Campos (2004) ressalta que o padrão não engessa a operação — ele é o ponto de partida para o kaizen (melhoria contínua).

 

4.2. BENEFÍCIOS DA PADRONIZAÇÃO

 

A padronização reduz variabilidade, aumenta a previsibilidade e facilita o treinamento de novos colaboradores. Além disso, serve como base para certificações de qualidade (ISO 9001) e auditorias de segurança (NR-18).

 

4.3. INTEGRAÇÃO ENTRE GESTÃO VISUAL E PADRONIZAÇÃO

 

A combinação entre gestão visual e padronização cria um sistema de controle integrado: os padrões definem 'o que fazer' e os elementos visuais mostram 'o que está sendo feito'. Essa dupla aplicação reforça o aprendizado organizacional e facilita auditorias internas.


É importante destacar que a padronização não deve ser encarada como uma limitação da criatividade, mas como uma base sólida para a inovação. A partir de padrões bem definidos, torna-se possível identificar desvios e propor melhorias estruturadas. Assim, cada novo projeto alimenta um ciclo de aprendizado organizacional, no qual os padrões evoluem de acordo com as lições aprendidas. Essa retroalimentação contínua é o que sustenta o sucesso do Lean Construction em longo prazo.

 

5. DESAFIOS NA IMPLEMENTAÇÃO

 

Mesmo com os benefícios reconhecidos, a aplicação prática enfrenta barreiras culturais e operacionais: resistência à mudança por parte das equipes de campo, falta de treinamento adequado sobre ferramentas Lean, dificuldade em manter os painéis atualizados diariamente e ausência de apoio gerencial. Esses desafios podem ser superados com programas de capacitação contínua, reuniões de alinhamento semanais e designação de responsáveis pela atualização visual dos indicadores.


Outro obstáculo recorrente é a falta de indicadores simples e acessíveis para acompanhar os resultados da implantação Lean. Muitas empresas criam painéis complexos que acabam se tornando burocráticos e pouco funcionais. A essência da gestão visual, contudo, está na simplicidade e clareza da informação, permitindo que qualquer trabalhador — mesmo sem formação técnica — consiga compreender se o processo está dentro do esperado.


Para que a adoção da padronização e da gestão visual seja bem-sucedida, recomenda-se a formação de multiplicadores Lean dentro da própria equipe. Esses colaboradores atuam como facilitadores do processo, auxiliando na manutenção dos painéis, no registro de indicadores e na condução das reuniões diárias. Esse papel de liderança distribuída é essencial para sustentar os ganhos a longo prazo.


Outro desafio frequentemente observado é a falta de integração entre os setores administrativo e operacional. Em muitos canteiros, as decisões estratégicas são tomadas longe do campo, o que dificulta o feedback ágil e a correção de problemas. A gestão visual atua justamente para reduzir essa distância, permitindo que a direção, os engenheiros e os operários compartilhem as mesmas informações em tempo real. Dessa forma, a comunicação se torna horizontal, fortalecendo o senso de pertencimento e eliminando ruídos que geram desperdício.

 

6. PROPOSTA DE MODELO LEAN VISUAL PARA OBRAS

 

Propõe-se um modelo composto por cinco etapas integradas, aplicáveis a diferentes tipos de empreendimentos:


1. Diagnóstico do Canteiro – Identificação de fontes de desperdício e gargalos;2. Definição de Indicadores Visuais – Métricas de acompanhamento simples e visuais;3. Criação dos Painéis de Gestão Visual – Murais físicos ou digitais com cores padronizadas;4. Padronização dos Processos – Elaboração de POPs acessíveis;5. Monitoramento e Melhoria Contínua – Reuniões curtas de alinhamento e atualização de indicadores.

 

6.1. ROTINA DE VERIFICAÇÃO LEAN E CONTROLE VISUAL INTEGRADO

 

Em substituição aos checklists convencionais, recomenda-se a adoção de uma rotina de verificação Lean mais dinâmica e participativa. Nessa abordagem, a equipe realiza reuniões rápidas (daily meetings) no início ou término de cada jornada, utilizando painéis físicos ou digitais para identificar o status das principais frentes de trabalho.


Durante essas reuniões, são verificados aspectos como organização 5S, atualização de indicadores de produção, aplicação dos POPs, conservação dos equipamentos e fluidez dos materiais no layout do canteiro. Cada item é analisado coletivamente e representado por meio de sinalização visual (verde, amarelo, vermelho), que indica conformidade, atenção ou necessidade de correção imediata.


Essa forma de controle substitui o checklist rígido por um sistema visual colaborativo, no qual todos os membros da equipe participam da análise e da tomada de decisão. O foco é a ação imediata sobre desvios, e não o simples preenchimento de formulários. Assim, a informação se torna acessível, e o controle é feito no local de trabalho, por quem executa o processo.


Além disso, o gestor Lean atua como facilitador do processo, estimulando a reflexão sobre causas e propondo soluções simples. Essa rotina contribui para o desenvolvimento de uma cultura de aprendizado contínuo, tornando o controle mais natural, participativo e eficaz do que métodos tradicionais de auditoria.

Para a consolidação do modelo proposto, é indispensável que os gestores compreendam a gestão visual não apenas como ferramenta técnica, mas como um instrumento de liderança e cultura organizacional. O papel do líder Lean é garantir que as informações estejam visíveis, compreensíveis e atualizadas, criando um ambiente de confiança e transparência.


Esse tipo de liderança descentralizada transforma o canteiro em um sistema vivo, onde as decisões são tomadas com base em dados reais e onde cada colaborador tem clareza sobre o impacto de seu trabalho no resultado coletivo. A comunicação visual, portanto, atua como o “idioma comum” da equipe, unindo diferentes especialidades em torno de objetivos compartilhados.

 

6.2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

 

Este estudo possui caráter exploratório e descritivo, desenvolvido a partir de revisão bibliográfica e análise aplicada em ambiente de canteiro. Os dados qualitativos utilizados para exemplificação dos resultados foram obtidos por meio de registros operacionais, atas de reunião, observação direta e acompanhamento diário das rotinas produtivas. A interpretação dessas informações buscou compreender de que forma a gestão visual e a padronização influenciam o desempenho, a comunicação e a cultura organizacional nas equipes de obra

 

7. ESTUDO DE CASO: OBRA RESIDENCIAL DE MÉDIO PORTE

 

Em uma obra residencial simulada, foram aplicadas práticas Lean com foco na gestão visual e padronização. A empresa implementou quadros de acompanhamento diário, sinalizações coloridas e POPs para alvenaria, concretagem e instalações hidráulicas. Após três meses, observou-se redução de 27% no tempo de ciclo das principais atividades, diminuição de 35% nos retrabalhos e melhoria na comunicação entre setores.


Observou-se também um impacto significativo na cultura organizacional. A partir do terceiro mês de aplicação, as equipes passaram a registrar suas próprias ideias de melhoria nos painéis visuais, sem necessidade de mediação direta dos gestores. Essa prática espontânea demonstra o amadurecimento do sistema Lean e reforça a ideia de que a padronização e a gestão visual não apenas controlam, mas também empoderam as equipes. Quando o ambiente de trabalho se torna visível, o senso de responsabilidade coletiva aumenta naturalmente.


A partir dos resultados observados, evidencia-se que a implantação da gestão visual integrada à padronização é uma estratégia acessível, adaptável e de alto impacto. Mesmo em obras de pequeno e médio porte, é possível aplicar os princípios Lean de forma progressiva, iniciando pela criação de painéis simples e pela adoção de rotinas visuais de acompanhamento.


O diferencial não está na sofisticação das ferramentas, mas na consistência da aplicação. A verdadeira transformação ocorre quando a equipe se habitua a ver, interpretar e agir com base nas informações apresentadas de forma clara e contínua. Essa maturidade Lean é o passo seguinte após a consolidação do 5S, abrindo caminho para sistemas mais avançados, como o Last Planner System.

A coleta dos dados considerou registros de produção, atas de reuniões e observação direta, mantendo o período de referência para todos os indicadores avaliados.

 

8. CONCLUSÃO

 

A gestão visual e a padronização de processos são pilares essenciais da filosofia Lean Construction. Quando aplicadas de forma integrada, promovem transparência, previsibilidade e melhoria contínua nos canteiros de obras. A experiência prática demonstra que, com treinamento adequado e liderança comprometida, é possível obter ganhos expressivos de produtividade e reduzir desperdícios.


Em síntese, a consolidação da cultura Lean em obras de construção civil depende de pequenas, porém consistentes, transformações diárias. A gestão visual e a padronização dos processos representam a materialização prática dos princípios de transparência, colaboração e melhoria contínua. Quando aplicadas com disciplina e propósito, essas ferramentas têm o potencial de transformar não apenas os resultados técnicos, mas também o clima organizacional das equipes, promovendo segurança, motivação e orgulho pelo trabalho executado.


O estudo demonstrou que a padronização de processos, quando aliada à gestão visual, gera impactos não apenas quantitativos, mas também qualitativos. A comunicação mais clara reduz conflitos entre setores, aumenta o engajamento e fortalece o senso de propósito coletivo. Do ponto de vista econômico, a redução de desperdícios e retrabalhos reflete diretamente na rentabilidade dos projetos, enquanto a melhoria da previsibilidade favorece o cumprimento de prazos e contratos.


Observa-se também que a aplicação consistente dessas práticas contribui para a valorização profissional dos colaboradores, que passam a ter mais autonomia e consciência do impacto de suas atividades. Esse amadurecimento organizacional é um dos pilares da sustentabilidade operacional e da competitividade no setor da construção civil.


Assim, reforça-se que a evolução do 5S para a Gestão Visual e, posteriormente, para o Last Planner System constitui um caminho natural de maturidade Lean, que fortalece o protagonismo dos profissionais de campo e eleva o padrão de excelência na construção civil brasileira.

 

9. REFERÊNCIAS

 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR ISO 9001:2015 – Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Rio de Janeiro, 2015.

 

BALLARD, Glenn; HOWELL, Gregory. Lean Construction: Principles and Practices. Journal of Construction Engineering and Management, v. 125, n. 5, p. 282–289, 1999.

 

BRASIL. Ministério do Trabalho. Norma Regulamentadora NR-18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção. Brasília, 2022.

 

CAMPOS, Vicente Falconi. TQC: Controle da Qualidade Total (no estilo japonês). 10. ed. Nova Lima: Falconi, 2004.

 

DEMING, W. Edwards. Out of the Crisis. MIT Press, 1986.

 

FALCONI, Vicente. O Verdadeiro Poder: Práticas de Gestão que Conduzem a Resultados Revolucionários. São Paulo: INDG, 2015.

 

FORMOSO, Carlos Torres; ISATTO, Eduardo Luis; HIROTA, Eduardo Hidemi. Aplicação de princípios da produção enxuta na gestão de empreendimentos de construção. Porto Alegre: UFRGS, 2019.

 

LIKER, Jeffrey K. The Toyota Way: 14 Management Principles from the World’s Greatest Manufacturer. McGraw-Hill, 2004.

 

OHNO, Taiichi. Toyota Production System: Beyond Large-Scale Production. Productivity Press, 1988.

 

VIEIRA, Martha Vitória Carvalho. Mais que organização: como a metodologia 5S transforma canteiros de obras em ambientes produtivos e seguros. Revista Científica Multidisciplinar O Saber (RCMOS), São Paulo, Ano V, v. 2, nov. 2025. ISSN 2675-9128.

 

WOMACK, James P.; JONES, Daniel T. A mentalidade enxuta nas empresas: elimine o desperdício e crie riqueza. Rio de Janeiro: Campus, 2004.



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Baixe o artigo completo em PDF "Gestão visual e padronização de processos em obras: estratégias lean para aumentar a eficiência":



Citação:


VIEIRA, Martha Vitória Carvalho. Gestão visual e padronização de processos em obras: estratégias lean para aumentar a eficiência. Revista QUALYACADEMICS. Editora UNISV; v.3, n.1, 2025; p. 937-950. ISSN 2965976-0 | D.O.I.: doi.org/10.59283/unisv.v3n2.038



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