AVALIAÇÃO ESCOLAR A FAVOR DA APRENDIZAGEM
UMA VISÃO CENTRADA NAS INDIVIDUALIDADES E NO CONTEXTO SOCIAL
Informações Básicas
Revista Qualyacademics v.4, n.2
ISSN: 2965976-0
Tipo de Licença: Creative Commons, com atribuição e direitos não comerciais (BY, NC).
Recebido em: 18/10/2026
Aceito em: 19/10/2026
Revisado em: 19/10/2026
Processado em: 19/10/2026
Publicado em: 20/10/2026
Categoria do artigo: Artigo de Revisão
Como citar esse material:
SAMPAIO, Maria de Lourdes Limeira de Morais. Avaliação escolar a favor da aprendizagem: uma visão centrada nas individualidades e no contexto social. Revista QUALYACADEMICS. Editora UNISV; v.4, n.2, 2026; p. 749-762. ISSN 2965976-0 | D.O.I.: doi.org/10.59283/unisv.v4n2.021
Autoria:
Maria de Lourdes Limeira de Morais Sampaio
ORCID: : https://orcid.org/0009-0004-6812-1172. Pedagogia pela FIP (Faculdade Integrada de Patos-PB) e pós-graduação em Avaliação Educacional em Matemática pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Contato: branca.lourdes@hotmail.com
Baixe o artigo completo em PDF
RESUMO
Este artigo apresenta uma abordagem em torno da avaliação escolar praticada em favor da aprendizagem, que tem como objetivo principal facilitar a construção dos conhecimentos durante determinados períodos de estudos e deve ser aplicada de várias formas através de diversos instrumentos. Desta forma nos oferece mais condições de identificar as informações sobre a construção dos conhecimentos dos estudantes, fato primordial para os planejamentos e continuação do ensino. É por meio do processo ensino/avaliação/reensino que podem ser verificados os níveis de conhecimentos e se são compatíveis com os objetivos planejados. Neste processo, são elaboradas as ascensões de vida acadêmica dos estudantes. É de grande importância que a avaliação seja aplicada no cotidiano objetivando alcançar a diversidade dos estudantes de forma que aqueles que enfrentam maiores dificuldades para permanecerem na escola, sejam vistos em suas particularidades como pessoas capazes e que têm potencias a serem explorados. Para que os trabalhos educativos desenvolvidos hoje sejam favoráveis a aprendizagem é necessário que seja considerado o uso das tecnologias no ensino/aprendizagem/avaliação/reensino, pois elas contribuem profundamente em todos os aspectos de maneira inovadora. O texto mostra os paradigmas que a avaliação escolar deve seguir, que são os baseados em problemas e por evidências, assim como as três principais formas de apresentação da avaliação que são: a avaliação diagnóstica, formativa e somativa. A diagnóstica serve para verificarmos os conhecimentos prévios de um determinado grupo de estudantes no início de um período de estudo, a formativa que fornece dados em tempo real e nos diz o que está acontecendo com os discentes que estão sujeitos aos processos de aprendizagens. Ela apresenta duas funções: a socializadora que é aquela que promove a prática de valores e atitudes e a função pedagógica que permite que os professores determinem de maneira diagnóstica a situação inicial dos alunos, a regulação durante o processo e a situação final, após as avaliações. A avaliação formativa considera critérios e indicadores e tem como características: Avaliar o estudante de forma integral, considerar o contexto de negociação com pontos fortes, oportunidades, fraquezas e ameaças, centra-se na descoberta de oportunidades, de melhorias e otimização de serviços, redução de custos materiais e humanos. Tem ênfase nos aspectos das dimensões cognitiva, afetiva e psicomotor. Por fim, temos Avaliação Somativa ou Cumulativa, que ao final de uma unidade de ensino/aprendizagem mostra resultados sistematizados.
PALAVRAS-CHAVE: Avaliação; Aprendizagem; Construção; Conhecimento.
ABSTRACT
This article presents an approach to school assessment that supports learning, primarily aimed at facilitating knowledge construction throughout designated study periods. It should be applied in multiple ways using diverse instruments, providing better conditions to identify information about students' knowledge construction—a essential factor for instructional planning and ongoing teaching. Through the teaching/assessment/reteaching process, levels of knowledge can be verified against planned objectives. Within this process, pathways for students' academic advancement are shaped. It is of great importance that daily assessment targets student diversity, ensuring that those who face greater difficulties remaining in school are recognized in their individual uniqueness as capable individuals with potential to be explored. For current educational efforts to foster learning, technology must be integrated into teaching/learning/assessment/reteaching, as it makes profound, innovative contributions across all aspects. The text highlights the paradigms that school assessment should follow—specifically problem-based and evidence-based approaches—along with its three main presentation formats: diagnostic, formative, and summative assessment. Diagnostic assessment identifies the prior knowledge of a group of students at the beginning of a study period. Formative assessment provides real-time data on students engaged in the learning process and serves two key functions: a socializing function that promotes values and attitudes, and a pedagogical function that allows teachers to diagnostically assess students' initial standing, monitor progress, and determine final outcomes post-assessment. Formative assessment considers criteria and indicators, characterized by evaluating the student holistically, framing negotiation within strengths, opportunities, weaknesses, and threats, and focusing on uncovering opportunities for improvement, service optimization, and human and material cost reduction. It emphasizes the cognitive, affective, and psychomotor dimensions. Finally, Summative or Cumulative Assessment presents systematized results at the end of a teaching/learning unit.
KEYWORDS: Assessment; Learning; Construction; Knowledge.
1. INTRODUÇÃO
A avaliação da aprendizagem constitui um dos pilares mais complexos e determinantes do processo educativo escolar. Longe de resumir-se a um ato meramente burocrático de verificação de notas, a práxis avaliativa deve ser compreendida e operacionalizada como um ecossistema diagnóstico e regulador, capaz de orientar a intervenção pedagógica, promover a constante melhoria do ensino e favorecer a construção de uma aprendizagem verdadeiramente significativa.
No contexto contemporâneo, a avaliação escolar firma-se como um meio estratégico indispensável para aferir os níveis de conhecimento consolidados pelos estudantes, validar as metodologias e instrumentos didáticos utilizados em sala de aula e assegurar a qualidade do desenvolvimento integral dos discentes. Nessa perspectiva, o ato de avaliar ultrapassa a mensuração de conteúdos conceituais, contribuindo de forma decisiva para a edificação de competências socioemocionais, afetivas, reflexivas e voltadas para o mundo do trabalho.
Para que a avaliação potencialize o protagonismo do estudante na construção de seu próprio conhecimento, exige-se do educador uma postura inovadora e adaptada às transformações da sociedade atual. O planejamento docente deve pautar-se em paradigmas avaliativos assentados na resolução de problemas e na análise fundamentada em evidências, garantindo um elo dinâmico entre os objetivos de aprendizagem, as estratégias de ensino e o acompanhamento do rendimento escolar.
Diante disso, este trabalho tem como objetivo analisar o papel da avaliação da aprendizagem na escola e suas implicações no processo pedagógico. Para tanto, o estudo discorre sobre as três principais modalidades de avaliação presentes na prática educativa:
Avaliação Diagnóstica: empregada no início do processo formativo para mapear os conhecimentos prévios e as especificidades do perfil de entrada dos estudantes;
Avaliação Formativa: desenvolvida de forma contínua ao longo do percurso educativo, desempenhando funções de ordem socializadora (promoção de valores e atitudes) e pedagógica (regulação do ensino e da aprendizagem), com base em critérios e indicadores de desenvolvimento integral;
Avaliação Somativa (ou cumulativa): realizada ao término de um ciclo ou unidade de ensino com a finalidade de sistematizar, mensurar e atestar os resultados alcançados.
Por fim, a estrutura deste artigo apresenta, além desta Introdução, as seções referentes ao desenvolvimento das concepções avaliativas, as considerações finais sobre os impactos da avaliação na transformação escolar, os devidos agradecimentos e o suporte bibliográfico que fundamenta a reflexão proposta.
2. AVALIAÇÃO CENTRADA NAS INDIVIDUALIDADES E NO CONTEXTO SOCIAL
Avaliar é um processo que envolve concepções, crenças, valores, princípios, teorias, conceitos, metas, desejos, trajetórias; quando tal processo tem como foco a educação torna-se potencialmente mais complexo, gerando intrincados desafios à sua verificação e registro (Marinho; Araújo, 2015, p. 386).
A avaliação da aprendizagem constitui um dos pilares mais complexos e determinantes do processo educativo. Longe de resumir-se a um ato meramente burocrático de verificação de notas, a práxis avaliativa deve ser compreendida e operacionalizada como um ecossistema diagnóstico e regulador, capaz de orientar a intervenção pedagógica, promover a constante melhoria do ensino e favorecer a construção de uma aprendizagem verdadeiramente significativa.
No contexto contemporâneo, a avaliação escolar firma-se como um meio estratégico indispensável para aferir os níveis de conhecimento consolidados pelos estudantes, validar as metodologias e instrumentos didáticos utilizados em sala de aula e assegurar a qualidade do desenvolvimento integral dos discentes. Nessa perspectiva, o ato de avaliar ultrapassa a mensuração de conteúdos conceituais, contribuindo de forma decisiva para a edificação de competências socioemocionais, afetivas, reflexivas e voltadas para o mundo do trabalho.
Para que a avaliação potencialize o protagonismo do estudante na construção de seu próprio conhecimento, exige-se do educador uma postura inovadora e adaptada às transformações da sociedade atual. O planejamento docente deve pautar-se em paradigmas avaliativos assentados na resolução de problemas e na análise fundamentada em evidências, garantindo um elo dinâmico entre os objetivos de aprendizagem, as estratégias de ensino e o acompanhamento do rendimento escolar.
2. A AVALIAÇÃO COMO PROCESSO PEDAGÓGICO E HUMANIZADOR
A avaliação da aprendizagem tem como objetivo central orientar, acompanhar e facilitar o desenvolvimento do conhecimento ao longo dos períodos escolares. Mais do que mensurar o rendimento, o ecossistema avaliativo fornece dados diagnósticos cruciais sobre o processo pedagógico, orientando metodologias e validando se os recursos e instrumentos utilizados em sala de aula são adequados. Ademais, fomenta um ambiente constante de reflexão pedagógica, permitindo reconhecer o desenvolvimento socioafetivo, as dinâmicas de relacionamento e as formas de expressão dos estudantes.
É por meio de uma práxis avaliativa bem delineada que se torna possível identificar os níveis reais de aprendizagem e fundamentar o replanejamento docente contínuo. Esse ciclo de ensino, avaliação e intervenção pedagógica orienta novas abordagens a cada período letivo, viabilizando avanços acadêmicos e assegurando a melhoria progressiva dos resultados educacionais.
Nessa perspectiva, a avaliação desempenha papel humanizador ao voltar-se para a diversidade do público escolar, com especial atenção a estudantes com necessidades educacionais específicas e em situação de vulnerabilidade social. Ao identificar as especificidades de cada indivíduo, a aplicação de métodos e instrumentos diferenciados permite mitigar barreiras de aprendizagem, prevenir a evasão escolar e promover a retenção com sucesso e desenvolvimento autônomo.
Para responder às demandas contemporâneas, a avaliação deve incorporar práticas inovadoras e flexíveis. Isso exige a articulação entre o currículo formal — seja na rede pública ou privada — e as realidades locais, respeitando os conhecimentos prévios e os contextos individuais dos estudantes por meio de adequações curriculares precisas.
3. PARADIGMAS E EVIDÊNCIAS AVALIATIVAS
Estruturalmente, a avaliação escolar pode fundamentar-se em paradigmas embasados na resolução de problemas e na coleta de evidências. A análise sistemática dessas evidências, pautada em critérios e indicadores bem definidos, estabelece o elo entre o planejamento docente, a mediação pedagógica e o desenvolvimento de competências.
As evidências de aprendizagem organizam-se em quatro dimensões principais:
Evidências de Desempenho do Conhecimento: verificação do domínio conceitual e da capacidade de retenção e aplicação das informações;
Evidências de Atitudes: observação da postura, engajamento e comportamento do estudante diante das atividades propostas;
Evidências de Valores: avaliação da assimilação e prática de princípios éticos, de convivência e de responsabilidade social;
Evidências de Produtos: análise das produções tangíveis desenvolvidas pelos estudantes, como projetos, relatórios, artefatos e trabalhos práticos.
4. MODALIDADES DE AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM
Para responder às exigências formativas do século XXI, a práxis avaliativa estrutura-se em três modalidades fundamentais e complementares:
4.1. AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA
Realizada de forma rigorosa e sistêmica no início de um ciclo, unidade ou período letivo. Possui dupla finalidade: mapear o estado inicial de aprendizagem do grupo de estudantes e subsidiar tomadas de decisão que permitam elevar o nível de conhecimento prévio detectado a novos patamares de desenvolvimento. Por sua natureza investigativa, seus resultados não devem ser convertidos em notas somativas, mas analisados sob o prisma de níveis de domínio e conduta.
O diagnóstico facilitado por essa avaliação, no início de qualquer processo de ensino, permite que os professores gerenciem melhor o tempo e os recursos, pois evitamos ensinar a eles algo que já sabem ou exigir altos níveis de conhecimento atual e que, nos dois casos, acarretará desmotivação do estudante ou do grupo e na dificuldade em internalizar o que pretendemos transmitir (Viana, 2025, p. 34).
4.2. AVALIAÇÃO FORMATIVA
A avaliação formativa acontece a partir das informações coletados com o diagnóstico. “Ela fornece dados em tempo real, nos diz o que está acontecendo com os alunos que estão sujeitos aos processos de aprendizagens”. Avaliação de Aprendizagem, Heritage, (2010) Esses dados fornecidos durante o processo de desenvolvimento nos ajudam a melhorar o trabalho a fim de alcançar o produto que é a construção da boa aprendizagem. Todas as atividades que oportuniza os feedbacks sobre o andamento do ensino/aprendizagem incluem-se na avaliação formativa. É uma avaliação que é centrada no reforço dos acertos e ressignificação dos erros, a partir das práticas de atividades que contribuem para o desenvolvimento de aprendizagens específicas e concretas que enriquecem os conceitos trabalhados em Avaliação de Aprendizagem.
A avaliação formativa promove mudanças tanto nos métodos de ensino dos professores quanto nas formas de aprendizagem dos alunos. Os sistemas se adaptam às diferenças e à diversidade e as propostas de avaliação respondem aos princípios de entendimento, coerência e continuidade do que está sendo aprendido (Heritage, 2010, p. 36).
Além disso, o feedback oferecido pela avaliação formativa contribui para o bom andamento da aprendizagem do grupo e individualmente, é essencial para a sequenciação dos trabalhos com os temas em sala de aula, ajuda aos alunos que se situam no processo, melhora o permanente desenvolvimento da prática docente, favorece a comunicação com os pais e responsáveis dos estudantes, aumenta a socialização, responde às situações particulares e tem como principal objetivo: relevar as dificuldades e o progresso dos estudantes.
A avaliação Formativa apresenta duas funções específicas que são:
A função socializadora que é aquela que promove a prática de valores em que os estudantes podem compartilhar crenças individuais e ouvir outros colegas, promove a negociação em sala de aula, a empatia e a construção do pensamento coletivo, incentiva a participação com igualdade favorecendo a construção de ideias democráticas.
A função pedagógica que permite que os professores ou responsáveis pela avaliação, determinem de maneira diagnóstica a situação inicial dos alunos no início do processo, a regulação durante o processo e a situação final, após ter passado por avaliações.
Para além de uma mera verificação pontual, a Avaliação Formativa caracteriza-se por um acompanhamento sistemático, contínuo e humanizado do progresso do estudante. A sua aplicação eficaz assenta na definição clara e rigorosa de dois conceitos fundamentais:
Critérios de Avaliação: constituem os parâmetros de referência centrados no próprio sujeito. Sob essa perspectiva, a aprendizagem do discente é aferida em relação ao seu próprio ponto de partida — considerando os seus conhecimentos prévios e a sua evolução individual —, superando lógicas comparativas ou classificatórias entre pares.
Indicadores de Avaliação: consistem em evidências e sinais comportamentais observáveis que revelam a consolidação dos saberes. Esses indicadores fornecem ao educador dados valiosos em tempo real para orientar a seleção dos instrumentos pedagógicos mais adequados às necessidades da turma.
Cabe verificar as características e dimensões da avaliação formativa. A práxis da avaliação formativa assume uma abordagem holística e multidimensional no ambiente escolar, destacando-se pelas seguintes características essenciais:
Visão Integral do Estudante e da Instituição: avalia o discente na sua totalidade, englobando as dimensões cognitiva, afetiva, socioemocional e psicomotora, ao mesmo tempo em que fornece diagnósticos sobre os próprios processos e práticas institucionais.
Contexto Dialógico e Construtivo: apoia-se em um ambiente de negociação contínua e em critérios sistêmicos, adotando abordagens construtivas orientadas à elevação da qualidade e do êxito do trabalho educativo escolar.
Mapeamento Estratégico (Análise SWOT/FOFA): fundamentada originalmente nos pressupostos teóricos de Fleitman (1994), a avaliação formativa incorpora a identificação de pontos fortes, oportunidades, fraquezas e ameaças. Essa reflexão diagnóstica foca na descoberta contínua de oportunidades de melhoria, na otimização das dinâmicas pedagógicas e no uso eficiente e racional dos recursos humanos e materiais.
Diante disso, o contexto educacional contemporâneo exige a proposição de atividades pedagógicas significativas que oportunizem a vivência e a consolidação de conhecimentos, habilidades e atitudes (CHA), assegurando a formação humana e acadêmica dos estudantes em sua dimensão integral.
Figura 1 - Aspectos avaliados pela avaliação integral

Fonte: Pinto (2017)
A avaliação integral está de mãos dadas com a avaliação construtivista e a avaliação por competências... não são de controle, classificação ou exclusão... visam a participação do aluno para alcançar a aprendizagem e erradicar o fracasso escolar a fim de utilizar as informações obtidas no processo para melhorar o ensino... usa atividades que ajudam a ensinar a aprender, que ensinam a estudar... e consideram diferentes aspectos nas dimensões cognitiva, afetiva e psicomotora (Pietro, 2007).
A avaliação integral abrange a totalidade das dimensões do desenvolvimento humano e acadêmico do estudante. Esse modelo parte do pressuposto de que a consolidação dos saberes ocorre por meio de ampliações progressivas, permitindo que a aprendizagem conceitual seja construída de forma verdadeiramente significativa, à medida que os obstáculos cognitivos e pedagógicos são superados pelos discentes no decorrer do processo formativo.
Longe de constituir um momento isolado ou punitivo, a avaliação integral deve ser incorporada de maneira orgânica e contínua ao cotidiano escolar. A sua operacionalização fundamenta-se na coleta contínua e na análise reflexiva de dados oriundos da rotina de sala de aula e da dinâmica comunicacional entre docentes e discentes. Sob essa ótica, o ato avaliativo cumpre uma quíntupla função pedagógica:
Orientar o percurso do estudante na construção do saber;
Construir conhecimentos de forma contextualizada e contínua;
Regular os processos de ensino e de aprendizagem em tempo real;
Promover o engajamento e a autonomia dos sujeitos educativos;
Redirecionar os caminhos metodológicos sempre que necessário.
Dessa forma, a avaliação integral atua como um poderoso dispositivo de autorregulação da práxis docente. O educador passa a avaliar constantemente a eficácia de suas estratégias didáticas e a relevância dos recursos empregados, obtendo subsídios concretos para replanejar a sua ação pedagógica e intervir tempestivamente em favor do êxito de todos os estudantes.
4.3. AVALIAÇÃO SOMATIVA
Avaliação Somativa é também conhecida como Avaliação Cumulativa, fornece evidências ao final de uma unidade de ensino/aprendizagem e mostra resultados relacionados a efetividade de práticas pedagógicas aplicadas em um determinado período letivo. Esta forma de avaliação sempre foi a mais utilizada no campo educacional.
A avaliação somativa estabelece balanços confiáveis dos resultados obtidos ao final do processo de ensino aprendizagem, coleta informações, estabelece instrumentos de medidas confiáveis para o conhecimento, determina se os objetivos são alcançados. Seu objetivo principal é a qualificação dos alunos ao final de um curso, fornecer dados e informações para dinâmica de seleção de atividades específicas, classificar e distribuir os estudantes conforme seus desempenhos... pontuando numericamente os pontos de cada aluno... e comparando as qualificações com relação a um grupo padrão ou pontuação de referência... assegura certas características entre os aprovados, o que garante que respondam às demandas e metas educacionais do sistema (Pinto, 2017, 39).
A avaliação somativa norteia os estudantes sobre os pontos que devem ser melhorados, baseando-se nos padrões dos programas de estudo. Ajuda também aos professores oferecendo informações relevantes para as decisões quanto ao nível de preparação em conhecimentos específicos, e ao mesmo tempo avalia se os programas educativos estão oferecendo bons resultados.
Quanto aos instrumentos, devem ser bem selecionados e inovadores, considerando as normas e critérios de avaliação, sua validade, confiabilidade, se é justo, ter equivalência e aceitabilidade, ter conformidade com a modalidade de ensino e com a prática de várias formas de retornos dos resultados. Em conformidade com BNCC, atualmente devemos usar como instrumentos inovadores de avaliação da aprendizagem exemplo: atividades online, observação em sala de aula, discussão de estudo, portifólios, entre outros.
Avaliação escolar oportuniza vivências de experiência no campo avaliativo em favor da construção dos conhecimentos em sala de aula com mais incentivo para a edificação de saberes e significado para a vida acadêmica, social e trabalhista das pessoas que frequentam os espaços dos centros educativos em busca da aquisição de competências e consequentemente a atuação no mercado de trabalho como profissionais eficientes e responsáveis capazes de conviver com as diversidades que surgem a cada dia, por isso é necessário a nossa abertura a formação e participação na gestão dos centros educativos onde atuamos.
Perrenoud argumenta que a profissionalização é uma “aventura coletiva”, composta pelas opções pessoais, carecendo para seu avanço de investimento social, políticas, atitudes e projetos individuais e coletivos que explicitem a importância de tal tarefa. O mais seguro sinal de profissionalização de um ofício é a responsabilidade pela própria formação contínua, tanto quanto a “instalação, de dispositivos que permitem” a prestação de contas a seus pares e a uma hierarquia. O autor conclui afirmando que as construções dos referenciais de competências são “meios para os profissionais construírem uma identidade coletiva (Silvério, 2000, p.386).
Nós professores como profissionais da educação, precisamos estudar sempre e adquirirmos conhecimentos também sobre os sistemas de avaliação de outros estados, regiões e países, isso nos faz compreender melhor as realidades a serem avaliadas no Brasil e especificamente nas localidades em que atuamos. Pois hoje, muitas exigências e formas de aprendizagens são iguais ou muito parecidas em diversas partes do mundo, a mesma coisa pode-se dizer quando fala-se do mercado de trabalho. Os saberes emergem em um mundo globalizado onde as tecnologias fazem acontecer a disseminação de conhecimentos diversos em toda parte em todo os momentos.
As transformações em curso na sociedade brasileira, decorrentes das mudanças técnico-organizacionais no mundo do trabalho, estão fazendo ressurgir, com muita ênfase, acalorados debates relativos a temas e problemas que nos remetem às relações entre trabalho, qualificação e educação (especialmente a formação profissional) Expressões tais como "qualificação", "competência", "formação profissional" ocupam lugar de destaque nos discursos e documentos dos diferentes agentes e instituições sociais. O uso desses conceitos polissêmicos, na grande maioria das vezes empregados como equivalentes e sinônimos, despertou nossa atenção, pois tanto na literatura como nos discursos aparecem como conceitos novos, atuais e não como reatualizações (Manfredi, 1998).
5. CONCLUSÃO
A avaliação escolar é o processo desenvolvido no interior dos centros educativos que deve eleger políticas integrativas para que a formação dos estudantes aconteça de forma construtiva, voltada para a coletividade e a conscientização crítica cidadã. Hoje temos que avaliar a partir de um pensamento inclusivo e de uma visão direcionada para as individualidades dos estudantes, sem desconsiderarmos os contextos em que estão inseridos e os currículos propostos pelas redes de ensino.
Nós professores/educadores atuamos como mediadores deste processo a favor da avaliação como um meio de ascensão ao conhecimento com boa qualidade. São apresentados neste artigo três tipos de avaliação que podem contribuir de forma construtiva para a formação das competências educativas na atualidade. São elas: a Diagnóstica, Formativa e Somativa ou Cumulativa, cada uma com suas características próprias, são usadas em momentos distintos e atendem a objetivos diferenciados, mas que se conectam em uma mesma direção que é a de levar o estudante a perceber a importância de saber conhecer, fazer, conviver e ser, como pessoas críticas construtivistas em favor de um mundo mais humanizado onde as pessoas possam ser respeitadas em suas diversidades nas diferentes localidades.
6. REFERÊNCIAS
ARAUJO, Claisy Maria Marinho. Rabelo, Mauro Luiz. Universidade de Brasília Brasília | DF | Brasil Articles. Avaliação (Campinas) 20 (2) • Jul, 2015. www.scielo.br
FLEITMAN, J. Evaluación integral (No.658/F59e). McGraw-Hill.
HERITAGE, M. Formative Assessment and Next-Generation Assessment Systems: Are We Losing an Opportunity? Council of Chief State School Officers, 2010.
MANFREDI, Silvia Maria. Educação e Sociedade, setembro de 1998. www.scielo.br
MARINHO, Claisy Maria. ARAUJO, Mauro Luiz Rabelo. Avaliação educacional: a abordagem por competências, Revista HISTEDBR On-line, Campinas, nº 63, ISSN: 1676-2584 386, p. 386, 2015. www.scielo.br
PIETRO, A. B. Trabajadores Competentes.: Introdución y reflexões sobre la Gestión de recursos humanos y competencias. ISIC, 2007, Avaliação de Aprendizagem, p. 41, 42, 44.
PINTO, M. A. S. Capítulo 12: “Tecnología en el ámbito educacional para y la observación, medición y desarrollo de competencias en los alumnos de INACAP Santiago Centro”Editor: Corporación Cimtedc, 218, 2017.
SILVEIRO, Aderlan. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, nº 63, p. 382-386, ISSN: 1676-2584 -385. Junho, Resenha do livro 10 Novas Competências para Ensinar de Perrenoud, 2000, Aderlan Silveiro, 2015. www.researchgate.com
VIANA. Edinalva Maria da Silva. Avaliações Diagnósticas de Rede: um olhar sobre a percepção dos Gestores e Professores de matemática de uma escola Municipal de Fortaleza. Teses e Dissertação PPGECIM, 2025. ppgecim.ulbra.br
________________________________
Baixe o artigo completo em PDF "Avaliação escolar a favor da aprendizagem: uma visão centrada nas individualidades e no contexto social":
Citação:
SAMPAIO, Maria de Lourdes Limeira de Morais. Avaliação escolar a favor da aprendizagem: uma visão centrada nas individualidades e no contexto social. Revista QUALYACADEMICS. Editora UNISV; v.4, n.2, 2026; p. 749-762. ISSN 2965976-0 | D.O.I.: doi.org/10.59283/unisv.v4n2.021
________________________________
Publicação de artigos em revista científica com altíssima qualidade e agilidade: Conheça a Revista QUALYACADEMICS e submeta o seu artigo para avaliação por pares.
Se preferir transformamos o seu trabalho de conclusão de curso em um livro. Fale com nossa equipe na Editora UNISV | Publicar Livro
Conheça também, nosso serviços de diagramação de livros
Visite nossa livraria online





Comentários