• tania34991407

AUTISMO: Conhecer para lidar

Atualizado: Mar 4



Este tem sido um tema bem falado nos últimos tempos, embora muitas pessoas ainda não conheçam, não tenham nem ouvido falar.


Autismo - nome técnico oficial: Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), é uma condição de saúde caracterizada por déficit na condição social e comportamental. Tão abrangente que se usa o termo espectro pelos vários níveis de comportamento. Uma das causas principais é genética.


Alguns sinais de autismo aparecem quando a criança ainda é bem pequena e podem ser facilmente identificados, como a pratica de movimentos repetitivos, mudanças de comportamento como a perca da fala, ou andar na ponta dos pés por exemplo. Na carteirinha de vacina da criança tem informações que ajudam aos pais a identificar o comportamento de uma criança autista.


Existe três formas de autismo, leve moderado e grave, existem nomes científicos para estas três definições mas o que interessa mesmo é que os pais captem a tempo de ser tratado, quanto mais cedo o diagnóstico mais rápido será a evolução da criança.


SINAIS DO AUTIMO:

· Não manter contato visual por mais de dois segundos;

· Não atender quando chamado pelo nome;

· Isolar-se ou não se interessar por outras crianças;

· Alinhar objetos; separar por cores;

· Ser muito preso a rotinas a ponto de entrar em crise;

· Não brincar com brinquedos de forma convencional;

· Fazer movimentos repetitivos sem função aparente;

· Não falar ou não fazer gestos para mostrar algo;

· Repetir frases ou palavras em momentos inadequados;

· Não compartilhar seus interesses e atenção, apontando para algo ou não olhar quando apontamos;

· Girar objetos sem uma função aparente;

· Interesse restrito, parecendo estar num mundo só seu;

· Andar na ponta dos pés.


O termo autismo surgiu não faz muito tempo, em épocas remotas uma criança com este tipo de transtorno era considerada fora das suas faculdades mentais, “louquinha” era o temo mais usado. Graças a Deus isto está mudando e nossas crianças autistas estão adquirindo direitos que antes não possuíam. Não conhecemos um autista pela aparência ou pelo seu comportamento a menos que convivamos com ele. Cada autista tem o seu diferencial, a sua potencialidade. Existem grupos hoje que se organizam e tentam criar leis que ajudam os portadores deste espectro a serem respeitados.


Em 2007, a ONU declarou todo o dia dois de abril como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A cor escolhida para representar o autismo é o azul por haver, em média, quaro homens para cada mulher com TEA. O símbolo do autismo é o quebra- cabeça que denota sua diversidade e complexidade.


Existem inúmeros profissionais capacitados para tratar destas crianças, desde fonoaudiólogo, psicólogos, psicopedagogos, professores, entre tantos outros, porém o problema está na demora em conseguir este tipo de ajuda especializada. Muitas das crianças são percebidas com este transtorno pela professora na escola, então os pais são chamados e na maioria das vezes custam a acreditar que seu filho é diferente. E quando se dão conta que é verdade, que seu filho realmente possui algum déficit começam a travar uma batalha contra o tempo, que é o elemento precioso para o desenvolvimento da criança. Começa uma maratona de consultas, primeiro com o pediatra ou clinico dependendo da idade da criança, depois vem os encaminhamentos para outras especialidades, e os pais correm de um lado para outro até conseguirem encaixar seu pequeno. São feitos muito testes e experiências o que os deixa irritados, muda a rotina deles, transforma o seu dia a dia, faz com que eles saiam do seu mundo particular. Por vezes, os pais tem que viajar de uma cidade para outra para conseguirem o profissional de que as crianças precisam, tudo isto gera custos, cansaços, decepções, tristezas.


Só quem tem um filho autista sabe o que é noites inteiras acordado, desânimo quando não consegue o médico que tanto precisa, ou a professora adequada para seu filho. Só estes pais sabem o que significa chegar em um local público, como uma igreja, mercado, ou qualquer outro lugar e ver as pessoas olhando de cara feia, falando mal de seu príncipe ou princesa, chamando-os de manhosos. birrentos ou mal educados quando eles correm de um lado para o outro, gritam, choram, ou não respondem ao chamados dos pais.


E quando falam: “ Você ainda não tirou a fralda desta criança? Você tem que educa-lo, está muito manhoso, nem fala ainda, é só manha.” Entre tantas outras coisas que pessoas insensíveis e sem noção alguma do que é ser ou ter um autista falam por aí. Muitos pais abandonam seus filhos quando percebem que são diferentes, especiais, deixando mães, verdadeiras guerreiras cuidando sozinhas desta criança que requer uma atenção extrema.


Admiro muito pais e mães que tem amor dobrado para dar a seus pequenos sejam eles autistas ou não. Estes pais se unem e criam grupos de apoio aos familiares que se encontram na mesma situação. Agora com as redes sociais ficou mais fácil a comunicação entre eles, se comunicam através de mensagens por watsapp ou facebook, entre outras. Uns motivam os outros, instruem sobre onde levar seus filhos para conseguirem com mais facilidade a ajuda especializada que precisam, conversam sobre direitos, leis, escolas.


Ser autista não significa que a criança não seja inteligente, significa que ela tem um transtorno psíquico que precisa ser trabalhado, tem autistas extremamente inteligentes, com auto grau de capacidade. Alguns, se acompanhados desde cedo, exercem grandes profissões na vida adulta, outros se casam, formam família, aprendem a ter uma convivência normal com as outras pessoas e desenvolver suas atividades com máxima eficiência.


No meu primeiro livro A Fazenda das Borboletas, aqui pela Editor UNISV, a personagem Mariana é uma menina autista que não fala, não se socializa com os colegas da escola, vive em seu próprio mundo, numa época bem antiga em que não existia ainda diagnóstico, porém ela conhece a personagem principal Ana Carmela, sua professora, que a ajuda, compreende e transforma sua história.


No segundo livro, a continuação que está prestes a ficar pronto, Mariana tem um papel importante na história, ela passa a ser uma das protagonistas. Mesmo com suas limitações Mariana evolui bastante ao ponto de conhecer um rapaz e se apaixonar.


É muito triste quando vemos pessoas que se dizem evoluídas, cultas, sábias, cheias de predicados, discriminando um autista ou qualquer outra diferença que a pessoa possa ter.


Esta deve ser uma das causas que Jesus disse para não julgarmos, nem sempre o que a aparência nos mostra é o que realmente existe, por trás de uma criança aparentemente birrenta pode existir um autista, por trás de todo pai irritado pode existir uma pessoa que sofre, que fica noites sem dormir, que ora e chora, que muitas vezes não sabe mais o que fazer para mudar a situação, para fazer com que seu tesouro mais precioso tenha uma vida digna.


Já vi situações em que uma pessoa entra na fila preferencial em um estabelecimento e chega alguém e xinga mandando sair, chamando de fura fila, sendo até mesmo agressivo, então vi o ofendido sair chorando, se desculpando e explicando as mais diversas situações. Certa vez vi um homem forte, bonito, muito bem vestido, com um sobretudo preto entrar na fila dos idosos em um banco, logo começou a murmuração e xingamentos, e o homem tentando manter a calma, até que não aguentou e abriu o casaco dizendo que não havia necessidade de mostrar a bolsa de colostomia que carregava, mas em virtude das circunstâncias fora obrigado a tomar tal atitude, uma semana depois ele faleceu.


Teve outra vez que vi uma moça muito jovem e bonita passar por semelhante situação, ela entrou na fila preferencial de um mercado e foi igualmente maltratada, então saiu chorando e dizendo ter um câncer em estágio quatro e por este motivo não poder ficar muito tempo em pé em uma fila. Também já vi mães entrarem em filas com crianças autistas impacientes puxando a mãe para fora e algumas pessoas sem conhecimento de causa fazendo um alvoroço deixando a pobre mãe abatida e triste.


Não vamos julgar, nem sempre o que aparenta estar forte está, as vezes está tão debilitado que a única força que o mantém em pé é o amor de Deus porque o amor dos humanos ele não recebe mais. É muito fácil ser amigo, parceiro quando tudo está bem, mas e quando tudo o que o outro mais precisa é de compreensão, de um abraço, embora agora estejamos proibidos de nos abraçar, mas uma conversa mesmo que seja pela internet, um consolo, entender quando alguém entra na fila preferencial. Talvez ele tenha uma necessidade especial e se realmente for um furão, se for mais saudável do que você, paciência, ele vai acertar as contas com o ser superior.


Vamos amar mais e julgar menos, vamos entender o outro. E nesta questão do autismo, vamos abrir a mente e o coração, vamos nos engajar mais nestas lutas. Não veja o autista como um demente, um louco, um retardado ou qualquer outro adjetivo monstruoso que você possa dar, veja ele, seja adulto ou criança, como um ser iluminado, alguém que se entrega por inteiro, que é capaz de demonstrar infinitamente mais o amor do que qualquer pessoa que se diga normal, são príncipes e princesas de sangue azul, sangue nobre, que quando reconhecem em você o amor se entregam totalmente em suas mãos, ficam entregues por inteiro aos seus cuidados. A batalha é grande, imensa, principalmente para os pais dedicados e amorosos, mas como disse Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena se a alma não for pequena”.


Autismo não é o fim da esperança, não é ter um filho incapaz, não é ter que sofrer sozinho, não é ter que se isolar do mundo, não é aceitar desaforos por ter um comportamento um pouco diferente. Autismo é a manifestação do mais puro amor, é ser especial num mundo que está todo confuso, é sorrir mesmo triste, é se dar sem esperar receber, é ter seu próprio mundo para não ver a feiura que está o mundo coletivo. Ser autista é ser único, exclusivo, é não imitar ninguém, é não ter regras , é ser feliz. Para isto o autista só precisa de amor, a linguagem universal.

Segundo o dicionário: autismo, polarização privilegiada do mundo dos pensamentos, das representações dos sentimentos pessoais, com perda, em maior ou menor grau, da relação com os dados e as exigências do mundo circundante.

Quantas vezes desejamos nos desligar do mundo? ...





Capão da Canoa, 18/02/2021




Tania Costa

Autora do Livro A Fazenda das Borboletas


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